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Acordo com China favorece mais Brasil que UE ou EUA, diz especialista

ResumoMarcus Vinicius de Freitas, professor da China Foreign Affairs University, afirma que um eventual acordo comercial entre o Mercosul e a China beneficiaria mais o Brasil do que tratados com EUA ou União Europeia. A avaliação considera vantagens estratégicas e econômicas específicas para o país sul-americano no contexto das negociações internacionais.

Um eventual acordo comercial entre o Mercosul e a China seria mais favorável ao Brasil do que qualquer tratado com EUA ou União Europeia, avalia Marcus Vinicius de Freitas, professor da China Foreign Affairs University, à CNN Brasil.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 28 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Acordo com China favorece mais Brasil que UE ou EUA, diz especialista

Acordo com China favorece mais Brasil que UE ou EUA, indica especialista

Segundo Marcus Vinicius de Freitas, professor da China Foreign Affairs University, um eventual acordo comercial entre o Mercosul e a China seria mais favorável ao Brasil do que qualquer tratado firmado com os Estados Unidos ou com a União Europeia. A avaliação foi feita ao Hora H, da CNN Brasil, no contexto da conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder chinês, Xi Jinping.

Por que acordo com China é mais vantajoso que com UE ou EUA?

Para Freitas, a principal vantagem reside na natureza da relação bilateral. "Um acordo com a China é muito mais favorável e muito melhor para o Brasil do que qualquer acordo com a União Europeia ou com os Estados Unidos, porque é uma relação de sinergia mais do que qualquer coisa, mais do que uma relação de competição", declarou o especialista.

A distância geográfica entre os dois países elimina disputas territoriais, de fronteira ou militares, tornando a relação essencialmente positiva, segundo Freitas.

Contexto da guerra comercial global

O telefonema entre Lula e Xi Jinping ocorreu em meio às tensões geradas pela guerra comercial global e às pressões tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Segundo Freitas, o contato enviou recados políticos importantes, sinalizando ao presidente americano Donald Trump que o mundo não depende exclusivamente dos Estados Unidos.

"O fato é de que hoje você tem duas potências que têm um papel muito importante na ordem global e quando uma pretende impor determinadas coisas, sempre resta a opção da outra", afirmou.

Terras raras e minerais críticos

Outro ponto central da conversa foi a questão das terras raras e dos minerais críticos. Freitas lembrou que a China utilizou o controle sobre esses recursos como instrumento para conter o ímpeto tarifário de Trump. No caso brasileiro, o especialista alertou que o país esteve próximo de entregar esses ativos de forma pouco estratégica nas negociações com os Estados Unidos.

"Se nós não podemos tratar como estratégico aquilo que os países tratam como estratégico, estamos tratando como uma mera commodity", criticou.

Resistência interna e recado à Argentina

Apesar do otimismo, Freitas apontou que a principal resistência a um acordo Mercosul-China virá do setor empresarial brasileiro. Segundo ele, federações de indústrias e empresários refratários à integração econômica tendem a defender o protecionismo historicamente característico da indústria nacional.

O especialista também destacou que o anúncio de Lula sobre um possível acordo com o Mercosul representa um recado ao governo argentino, indicando que a Argentina deverá seguir a liderança do Brasil dentro do bloco comercial.

Relação Brasil-EUA e soberania

Freitas avaliou que a relação entre Brasil e Estados Unidos vem se deteriorando, em parte devido ao que classificou como interferência norte-americana crescente no cenário político brasileiro. O especialista observou que os chineses também reclamam da interferência dos EUA em questões de sua soberania, especialmente no que diz respeito a Taiwan.

Para ele, tentativas de intervenção na América do Sul são menos viáveis do que na América Central, e o Brasil deve adotar uma postura de soberania mais firme diante dessas pressões.

Transferência de tecnologia como prioridade

Na visão do especialista, o Brasil precisa aproveitar essa aproximação para negociar transferência de tecnologia, acesso a novos equipamentos e inserção em novas indústrias, sob o risco de condenar o país a um atraso tecnológico nos próximos anos.

Perguntas Frequentes

Qual a principal vantagem de um acordo com China para o Brasil?

Segundo Marcus Vinicius de Freitas, a relação é de sinergia, não de competição, e a distância geográfica elimina disputas territoriais ou militares.

O que foi discutido na conversa entre Lula e Xi Jinping?

A conversa abordou a guerra comercial global, terras raras, minerais críticos e a possibilidade de um acordo Mercosul-China.

Quem resiste a um acordo Mercosul-China?

Freitas aponta que federações de indústrias e empresários refratários à integração econômica tendem a defender o protecionismo.

Como a guerra comercial dos EUA influencia o acordo?

O telefonema entre Lula e Xi Jinping sinalizou que o mundo não depende exclusivamente dos Estados Unidos, segundo o especialista.

O que o Brasil deve negociar com a China?

Freitas defende que o Brasil negocie transferência de tecnologia, acesso a novos equipamentos e inserção em novas indústrias.

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