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Entre mensagens antes de prisão e encontros com Vorcaro: o que pesa contra Moraes

ResumoAlexandre de Moraes, ministro do STF, prestou informações à Corte sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. A Polícia Federal apura mensagens trocadas antes da prisão de Vorcaro, um contrato de R$ 131 milhões e encontros entre ambos. O caso gerou questionamentos sobre a conduta do magistrado e pode influenciar sua atuação no tribunal.

O ministro Alexandre de Moraes presta informações ao STF sobre sua relação com Daniel Vorcaro. A sessão analisa relatório da PF que cita mensagens, contrato de R$ 131 milhões e encontros entre o ministro e o ex-banqueiro.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 15 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Entre mensagens antes de prisão e encontros com Vorcaro: o que pesa contra Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deve prestar nesta terça-feira (15), pela primeira vez de forma pública, informações sobre sua relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A sessão do plenário começa às 10h, em Brasília, e analisa o relatório da Polícia Federal que aponta o ministro como interlocutor do ex-banqueiro. Em meio à maior crise da história da corte, o encontro pode terminar com a abertura de uma investigação contra Moraes ou com a anulação do relatório, como pediu a PGR.

Mensagens apreendidas em um dos celulares de Vorcaro mostram que ele perguntou a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela PF, em 17 de novembro de 2025. "Acha que segunda já tenho que estar fora?", escreveu, enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Um dia antes, havia perguntado: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?". A PF resgatou os diálogos por prints tirados do bloco de notas e enviados com visualização única pelo WhatsApp, o que não permite acesso às respostas.

Segundo a PF, o contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Master foi editado por Moraes antes de ser assinado. Documentos da Receita Federal mostraram R$ 80,2 milhões pagos em dois anos. A banca confirmou as intervenções de Moraes "na condição de marido da sócia" e a pedido do setor de compliance, para verificar "eventual existência de impedimentos legais", como ações no STF sobre sua relatoria ou julgamentos de interesse do banco, o que não foi verificado.

Outro ponto é a negociação de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato, de R$ 50 milhões, com o escritório Barci de Moraes. A banca disse que nada nesse sentido foi assinado. O texto previa quitar R$ 40 milhões com a transferência das cotas das aeronaves e outros R$ 10 milhões como reembolso de despesas de voos. Moraes chegou a utilizar uma das aeronaves, da Prime Aviation, que teve Vorcaro como sócio.

As mensagens indicam ao menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro, os primeiros articulados por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os registros vão de fevereiro de 2024, na casa de Faria, a abril de 2025, quando o ex-banqueiro diz à namorada que iria encontrar Alexandre "perto de casa".

As suspeitas envolvem ainda o relato de Vorcaro sobre possível pressão ao ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, hoje investigado sob suspeita de atuar como consultor informal do ex-banqueiro em troca de dinheiro. Em março do ano passado, quando tentava vender 58% do Master ao BRB, Vorcaro afirmou a Paulo Sérgio que Moraes iria "chamar o Paulo para dar um aperto", possível referência ao procurador-geral Paulo Gonet. A relação também inclui a opinião de Moraes sobre edições de um Fórum Jurídico em Londres que Vorcaro ajudou a organizar, com sugestões de vetos e reclamações.

Acompanhar essa sessão é acompanhar como as instituições mineiras e nacionais lidam com seus próprios limites. Quem se interessa pela política que atravessa Minas encontra aqui um capítulo que ainda está sendo escrito, e vale acompanhar o desfecho no plenário do STF.

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