Dormir com cabelo molhado faz mal? Especialistas explicam
Hábito comum no fim do dia, dormir com o cabelo molhado fragiliza os fios e pode favorecer caspa e foliculite. Especialistas explicam o que realmente acontece e como secar sem danificar o cabelo.
Dormir com o cabelo molhado faz mal? A resposta é sim, segundo dermatologistas ouvidos em reportagem sobre o tema. O hábito, comum no fim do dia, fragiliza os fios e altera o ambiente do couro cabeludo. Não provoca gripe ou resfriado, mas o risco cresce com a repetição.
O problema começa na estrutura do fio. Molhado, ele fica mais elástico e suscetível a danos mecânicos. Durante o sono, o contato com o travesseiro aumenta o atrito e favorece quebra, frizz e pontas duplas.
O couro cabeludo também sente. Manter a região úmida por horas cria ambiente quente e propício à proliferação de microrganismos. Em pessoas predispostas, isso pode contribuir para caspa, inflamação e foliculite.
Por que o fio molhado quebra mais
A água altera temporariamente as propriedades do cabelo, deixando-o vulnerável à tração. Por isso, pentear, prender ou movimentar os fios molhados exige mais cuidado.
"O fio é formado por ligações internas que dão resistência a ele, e a água rompe temporariamente as ligações mais fracas, chamadas de pontes de hidrogênio, deixando o fio mais elástico e maleável enquanto está molhado. Essas pontes se refazem assim que o cabelo seca, mas enquanto isso não acontece, o fio fica mais vulnerável a quebrar com qualquer atrito", explica Maria Augusta Maciel, dermatologista e tricologista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), de São Paulo.
O risco aumenta quando o cabelo molhado é preso em coque, rabo de cavalo ou trança apertada antes de dormir. Além da fragilidade pela umidade, a tração eleva a quebra.
Fato e mito: o que o cabelo molhado não causa
Dormir com os fios molhados não provoca gripe ou resfriado. Essas doenças são causadas por vírus, não pela umidade dos cabelos. Uma noite com o cabelo molhado também não significa que haverá infecção. O risco está na repetição do hábito e nas características individuais do couro cabeludo.
Coceira, descamação, vermelhidão ou lesões persistentes devem ser avaliados por um dermatologista.
Como secar o cabelo sem danificar os fios
Evitar os extremos é a orientação mais segura. O calor excessivo danifica a fibra capilar, sobretudo com secador em temperaturas muito altas ou muito próximo dos fios. Deixar o cabelo molhado por horas também aumenta fragilidade e atrito durante o sono.
Uma alternativa é retirar o excesso de água com uma toalha, sem esfregar, e deixar secar parcialmente ao ar. Se ainda estiver úmido na hora de dormir, o secador pode ser usado em temperatura baixa ou média.
"O secador é para ser usado de forma adequada, deve ser colocado a uma distância de pelo menos 15 cm, usado numa temperatura morna e, durante a secagem, é importante ficar movimentando-o para não ficar fixo em um único lugar do cabelo", orienta Carolina Haddad, dermatologista e tricologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
O tipo de cabelo influencia nos cuidados. Fios cacheados, crespos, finos, grossos ou quimicamente tratados respondem de maneiras diferentes à umidade, ao atrito e ao calor.
"Aqueles cabelos que são naturalmente mais finos ou que são quimicamente tratados, descoloridos, alisados e que já sofreram repetidas agressões vão ser mais suscetíveis à quebra, ao frizz e ao dano. Então essas pessoas devem tomar mais cuidado", diz Haddad.