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Dor pós-COVID: estudo revela mecanismos da sequela em até 40%

ResumoPesquisadores da UFRJ identificaram mecanismos pelos quais a proteína Spike do SARS-CoV-2 desencadeia dor persistente pós-COVID. Estudo em camundongos revela que a proteína mantém a sensibilidade dolorosa mesmo após a resolução da inflamação inicial, explicando a sequela em até 40% dos infectados. A descoberta aponta alvos terapêuticos para tratar a condição crônica.

Pesquisadores da UFRJ investigam como a proteína Spike do SARS-CoV-2 pode desencadear dor persistente. Estudo com camundongos aponta mecanismos que mantêm a sensibilidade mesmo após a inflamação inicial.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Dor pós-COVID: estudo revela mecanismos da sequela em até 40%

A dor persistente após a COVID-19 pode atingir até 40% das pessoas que tiveram a doença, e um novo estudo com camundongos aponta a proteína Spike do SARS-CoV-2 como peça central do mecanismo. Pesquisadores da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigaram como a proteína, presente na superfície do vírus, pode desencadear uma resposta imunológica capaz de manter a sensibilidade à dor mesmo depois do fim da resposta inflamatória. O trabalho foi publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity.

A dor persistente é um dos sintomas comuns da COVID longa. Durante a fase aguda da infecção, 15% a 20% dos pacientes apresentam dores musculares. Após a recuperação, até 40% permanecem com dores por meses, incluindo muscular e no nervo ciático. A pergunta que motivou a pesquisa surgiu a partir da experiência de Giselle Passos, coautora do estudo, que contraiu COVID-19 na segunda onda no Brasil e manteve dores que exigiram tratamento com medicamentos e fisioterapia.

Os pesquisadores já haviam demonstrado que a proteína Spike provoca déficits cognitivos em animais, semelhantes aos observados em pacientes com COVID longa. Essa descoberta levou à hipótese de que a Spike também estivesse ligada à dor persistente. Nos experimentos, a proteína foi capaz de, por si só, desencadear mecanismos que mantêm a dor, mesmo sem a presença do vírus completo covid longa sintomas.

O estudo contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), da Fiocruz e do King's College de Londres. O trabalho recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e outras agências de fomento. Também integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inovação em Medicamentos e Identificação de Novos Alvos Terapêuticos (INCT-INOVAMED) tratamento dor crônica.

O próximo passo da pesquisa é aprofundar a compreensão dos mecanismos moleculares, com potencial para orientar futuras abordagens terapêuticas. Os resultados reforçam a importância de acompanhamento clínico para pacientes que relatam dor persistente após a infecção.

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