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Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

ResumoO petróleo Brent e WTI registra alta pela quinta sessão consecutiva, aproximando-se de US$ 100. Conflitos entre EUA e Irã e ataques no Mar Vermelho elevam o temor de disrupção nas cadeias de abastecimento, acendendo alerta para nova pressão inflacionária que pode chegar aos combustíveis no Brasil.

Os preços do petróleo Brent e WTI sobem pela quinta sessão consecutiva, próximos a US$ 100. Conflitos entre EUA e Irã e ataques no Mar Vermelho elevam o temor de disrupção nas cadeias de abastecimento e de nova pressão inflacionária, que pode chegar aos combustíveis no Brasil nas

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 23 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

Os preços do petróleo têm novo dia de alta nesta quinta-feira (23), com o Brent e o WTI operando próximos ao patamar de US$ 100 pelo quinto dia consecutivo. A escalada acende o alerta para uma nova pressão sobre a inflação no Brasil e no mundo, em meio a conflitos no Oriente Médio que ameaçam as rotas de abastecimento global.

O petróleo Brent, referência internacional, subiu 6,07%, cotado a US$ 99,75 o barril, enquanto o WTI, referência americana, avançou 4,91%, a US$ 91,08. O movimento ocorre em um cenário de tensão crescente entre Estados Unidos e Irã, além de ataques a navios no Mar Vermelho.

Petróleo dispara com conflitos no Oriente Médio

Segundo André Braz, economista do FGV/Ibre, a nova alta é puxada principalmente pelas ofensivas entre os Estados Unidos e Irã. "Os ataques a navios no Mar Vermelho e os riscos à circulação pelo Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb aumentaram o temor de interrupções no abastecimento", explica.

Essas rotas são estratégicas para o comércio mundial de petróleo. Qualquer acontecimento nas proximidades desses estreitos provoca efeito imediato no mercado e nas cotações.

Na noite de quinta-feira (23), os houthis, alinhados ao Irã, afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita. A ação ameaça criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Enquanto isso, as forças armadas dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, sob ordens do presidente Donald Trump, marcando a 12ª noite consecutiva de ataques americanos e provocando novas retaliações iranianas.

Pressão inflacionária no radar

Com o aumento do petróleo, novas aflições relacionadas à inflação aparecem. Segundo Braz, se o movimento se mostrar persistente, a inflação pode piorar. O petróleo mais caro por várias semanas poderia levar o mercado a revisar para cima as projeções de inflação e reduzir o espaço para cortes de juros.

André Matos, CEO da MA7 Capital, acrescenta que um choque de petróleo mais persistente tende a afetar combustíveis, fretes e câmbio. Para ele, "são justamente os canais que contaminam a inflação mais à frente". Matos reforça que o aumento de preços chega a 35% apenas neste mês.

Dados oficiais mostram que o IPCA, principal índice de inflação do país, registrou variação de 0,58% em maio de 2026, segundo o Banco Central. Em abril, a alta foi de 0,67%, e em março, de 0,88%. A escalada do petróleo pode pressionar os próximos indicadores.

Reflexo nos combustíveis pode demorar, mas preocupa

No entanto, o repasse nos preços da gasolina não deve chegar por ora. Segundo Matos, "o reflexo tende a vir, mas com alguma defasagem, porque a Petrobras não repassa a variação diária e costuma esperar para ver se a alta é consistente antes de mexer nos preços da refinaria. Se o barril se firmar nesse patamar, a probabilidade de reajuste na gasolina e no diesel nas próximas semanas cresce bastante".

Braz também acredita que, principalmente no Brasil, ainda é cedo para afirmar quando ou em que magnitude o impacto chegará às bombas. Mas alerta: "se o petróleo permanecer próximo de US$ 100 e o dólar também avançar, a pressão por reajustes da gasolina, do diesel e do gás de cozinha cresce".

Cenário geopolítico segue tenso

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi questionado sobre as recentes ameaças do presidente Trump de "bombardear e destruir" uma ponte ou usina de energia sempre que o Irã atacar um navio no Estreito de Ormuz. Ao falar com jornalistas à margem da cúpula da ASEAN em Manila, capital das Filipinas, Rubio afirmou: "O Irã está nos implorando, direta e indiretamente: 'Vamos fazer um acordo. Vamos conversar. Vamos conversar'."

O mercado segue monitorando os desdobramentos. A trajetória do petróleo nos próximos dias será determinante para saber se a pressão inflacionária se concretiza e quando os efeitos chegarão ao bolso do consumidor brasileiro.

Perguntas Frequentes

O petróleo pode chegar a US$ 100 o barril?

Nesta quinta-feira (23), o Brent opera a US$ 99,75, muito próximo do patamar simbólico de US$ 100. A continuidade dos conflitos no Oriente Médio pode levar a novas altas.

Quando o preço da gasolina vai subir no Brasil?

O repasse não é imediato. A Petrobras costuma aguardar para ver se a alta é consistente antes de reajustar os preços nas refinarias. Se o barril se firmar em patamares elevados, a probabilidade de reajuste nas próximas semanas cresce.

Como a alta do petróleo afeta a inflação?

O petróleo mais caro encarece combustíveis, fretes e câmbio, canais que contaminam a inflação. Se o movimento for persistente, o mercado pode revisar para cima as projeções de inflação.

Qual a relação entre os conflitos no Oriente Médio e o preço do petróleo?

Os ataques no Mar Vermelho e as tensões no Estreito de Ormuz ameaçam rotas estratégicas para o comércio mundial de petróleo, elevando o temor de interrupções no abastecimento e pressionando as cotações.

O que são o Brent e o WTI?

São as duas principais referências de preço do petróleo no mercado internacional. O Brent é usado como referência global, enquanto o WTI é a referência americana.

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