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Discord levou 17 dias para remover conteúdo, diz polícia

ResumoO Discord levou até 17 dias para responder a pedidos emergenciais de remoção de conteúdo, conforme relatório da Polícia Civil de São Paulo. A plataforma recusou retirar uma sala sobre matança de gatos após 16 dias e 18 horas de solicitação. O atraso contraria diretrizes de resposta rápida para casos de violência e crueldade animal.

O Discord levou até 17 dias para responder pedidos emergenciais de remoção de conteúdo, segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo. Em um caso, a plataforma recusou retirar sala sobre matança de gatos após 16 dias e 18 horas.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 02 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Discord levou 17 dias para remover conteúdo, diz polícia

O Discord levou até 17 dias para responder pedidos emergenciais de remoção de conteúdo da plataforma, aponta o relatório Análise da Responsabilidade do Discord na Moderação da Plataforma e na Cooperação com a Autoridade Policial, elaborado pela Polícia Civil de São Paulo. Em um dos casos, foram 190 horas (quase oito dias) até a resposta e a derrubada de uma sala usada para estupros virtuais e automutilações.

Assinado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), o relatório aponta um "padrão consistente de omissão operacional" da plataforma. O documento foi encaminhado neste mês ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Advocacia-Geral da União (AGU). Procurado por e-mail, o Discord não respondeu até a publicação deste texto. Em manifestações anteriores, a plataforma afirmou não tolerar conteúdos ilícitos ou abusivos e disse combinar inteligência artificial, denúncias de usuários e cooperação com autoridades.

Os investigadores analisaram 63 comunicações emergenciais e requisições enviadas ao Discord de maio de 2025 a janeiro de 2026. Os alertas envolviam transmissões ao vivo de incitação ao suicídio, tortura de animais e vazamento de fotos íntimas de menores para chantagem. Também incluíam ataques a escolas e planos para atear fogo em moradores de rua. A média de atendimento das notificações foi de 17 horas, mas houve casos com prazos muito maiores. Em julho de 2025, um pedido para retirar uma sala sobre a matança de gatos demorou 16 dias e 18 horas para ser respondido, terminando com a recusa da plataforma.

Outro problema apontado pela polícia é o fornecimento de dados para identificar usuários. Segundo o documento, o Discord tem enviado apenas endereços de IP (IPv4), sem a chamada "porta lógica de origem", que ajudaria a descobrir qual conexão estava por trás daquele IP. O relatório afirma que não há impedimento técnico para que a plataforma registre e forneça essa informação.

O relatório também descreve a atuação de grupos dentro do Discord que, na avaliação da polícia, passaram a funcionar de forma semelhante a organizações criminosas, com divisão de tarefas e financiamento. Um dos alvos é um adolescente brasileiro que mora na França e foi incluído no Alerta Azul da Interpol. As operações NIX, NIX II e NIX III levaram à apreensão de adolescentes envolvidos em invasões de dados públicos, apologia ao nazismo e planejamento de ataques terroristas. A Polícia Civil passou a cobrar medidas judiciais para obrigar o Discord a adotar verificação de idade e monitoramento preventivo.

O relatório foi enviado à ANPD em 21 de agosto, em meio ao cerco das autoridades ao Discord após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Em 12 de agosto, a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo e de outros recursos de vídeo do Discord no Brasil. Nesta quarta-feira (2), em Brasília, uma audiência na Justiça Federal discute uma Ação Civil Pública contra a plataforma.

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