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Julgamento de André Mendonça em 23 de setembro: o que se sabe

ResumoAndré Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, tem julgamento marcado para 23 de setembro sobre sua atuação, após sessão interrompida em 15 de setembro. Juristas apontam impasse sobre voto de desempate e risco de prolongamento da crise interna na Corte.

Sessão marcada para 23 de setembro sobre a atuação de André Mendonça segue sem definição após o julgamento interrompido na terça-feira (15). Juristas ouvidos apontam impasse sobre o voto de desempate e o risco de a crise interna se prolongar.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Julgamento de André Mendonça em 23 de setembro: o que se sabe

O Supremo Tribunal Federal chegou a esta quinta-feira (17) sem resposta sobre o que acontece com a sessão marcada para 23 de setembro, que analisaria a atuação do ministro André Mendonça nos casos do Banco Master e das fraudes no INSS. Na quarta-feira (16), os ministros não se manifestaram sobre o assunto.

A sessão de 23 de setembro está marcada, mas não há definição sobre como ela ocorreria. Em 15 de setembro, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Flávio Dino, que tem até dezembro para devolver o caso. Sem decisão sobre se os relatórios de André Mendonça e Alexandre de Moraes serão analisados juntos ou separados, o caminho da sessão da semana que vem ficou indefinido.

A sessão de quarta (16) começou sem a presença de dois ministros no plenário: Flávio Dino participou por videoconferência e Alexandre de Moraes chegou meia hora depois do início. O presidente Edson Fachin não mencionou os embates de terça-feira (15), quando houve troca de acusações entre ministros e o julgamento terminou sem análise do relatório da PF com 52 mensagens enviadas pelo dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, a Moraes.

Mais cedo, em evento sobre controle interno, a ministra Cármen Lúcia falou sobre confiança nas instituições: "A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos que nós estamos passando de descrença, de desânimo com a administração pública."

Na terça-feira (15), a divisão ficou explícita. A discussão se concentrou em questão preliminar proposta pela ala favorável a Moraes, para atrasar decisão sobre abertura de investigação. Pela análise conjunta votaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e o próprio Moraes. Pela separada votaram Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Kassio Nunes Marques se declarou impedido e Dias Toffoli, suspeito. Flávio Dino manifestou-se pela conjunta, mas pediu vista.

O jurista Wálter Maierovitch avalia que a sessão de 23 de setembro não deveria ser mantida: "Não é conveniente, não é oportuno, porque existem questões pendentes de um processo que, por um pedido de vista, está suspenso (...). Só vai aumentar o bolo de confusões, de questões."

Há ainda o impasse sobre o empate. Uma corrente defende o voto de qualidade, que autoriza o presidente do STF a desempatar questões regimentais. Outra ala, aliada de Moraes, sustenta que, por se tratar de caso criminal, o empate favorece o alvo das suspeitas. Para Oscar Vilhena, professor da FGV Direito SP, como não houve maioria para derrubar o ato do presidente, Fachin continua relator. Maierovitch afirma que não há ação penal e que o voto de Fachin deve prevalecer.

O professor da UFF Gustavo Sampaio alerta que a demora piora a imagem do tribunal: "Se o Supremo Tribunal Federal for de postergação em postergação (...), corre-se o risco de que isso termine no Senado Federal com uma manifestação de impeachment de ministros da Suprema Corte."

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