CVM apura laudos falsos de Vorcaro em fundo imobiliário
A CVM apura o uso de laudos falsos por um grupo ligado a Daniel Vorcaro para inflar o valor de imóveis do fundo Brazil Realty, com prejuízo estimado de R$ 5,8 milhões a investidores.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apura o uso de laudos falsos por um grupo ligado a Daniel Vorcaro para inflar o valor de imóveis, cujas cotas eram vendidas por meio do fundo imobiliário Brazil Realty a investidores de mercado. O caso está na pauta da autarquia desta terça-feira (8).
A investigação aponta que os laudos de avaliação que fundamentavam os preços dos imóveis teriam sido forjados, o que inchou artificialmente o patrimônio do fundo e deu ao grupo vantagens indevidas. Um dos imóveis citados, de 7.111 m² em Nova Lima (MG), teria saltado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,9 milhões, tendo como única base um laudo de outubro de 2017. A empresa responsável pelo documento foi intimada, negou a autoria, classificou o laudo como fraude e registrou boletim de ocorrência.
Outro imóvel, de 76.000 m² em Contagem (MG), também é mencionado no processo, que aponta incoerência no laudo por possível sobreavaliação de aproximadamente R$ 56 milhões. Para a acusação, os laudos, a entrada dos imóveis a preços inflados no fundo e as negociações no mercado secundário feitas pelas empresas do grupo teriam como objetivo ludibriar investidores a comprar as cotas e arcar com a diferença entre o valor artificial e o real.
A CVM também aponta que empresas do próprio grupo atuaram comprando e vendendo as cotas entre si para dar aparência de liquidez ao papel. A acusação inclui 18 nomes, incluindo Daniel Vorcaro e o Banco Master. A autarquia identificou prejuízo de R$ 5,8 milhões aos fundos que negociaram as cotas, com lucro milionário aos investigados.
A Entre Investimentos e Participações seria a responsável por conferir liquidez à operação, com 177 operações no mercado secundário de balcão não organizado entre novembro de 2018 e março de 2020. À CVM, a empresa argumentou que a acusação falhou em descrever com precisão os atos ilícitos supostamente praticados. Já a defesa do Banco Master, de Daniel Vorcaro e da Viking defendeu a regularidade das integralizações, ressaltando que as do Banco Master foram feitas em dinheiro.
Após a liquidação do Banco Master, a CVM implementou um pente-fino para mapear o modus operandi do Grupo Master e da Reag Investimentos. Foram analisados 314 processos instaurados a partir de 2017 para aprimorar a supervisão e a governança da autarquia. A reportagem entrou em contato com a defesa de Vorcaro e aguarda posicionamento.