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Crise EUA e Brasil trava combate ao crime organizado

ResumoA crise diplomática entre Estados Unidos e Brasil está travando a cooperação no combate ao crime organizado, segundo reportagem do The New York Times. O impasse inclui bloqueio de vistos para agentes da Polícia Federal brasileira e recusa de visitas de equipes do Brasil aos EUA, prejudicando operações conjuntas contra organizações criminosas transnacionais.

Reportagem do The New York Times afirma que a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos está travando a cooperação no combate ao crime organizado, com bloqueio de vistos de agentes da Polícia Federal e recusa de visitas de equipes brasileiras.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Crise EUA e Brasil trava combate ao crime organizado

A crise diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos está atrapalhando a cooperação entre os países no combate ao crime organizado. A informação é do jornal The New York Times, em matéria publicada neste sábado (12), que ouviu autoridades brasileiras e americanas sob condição de anonimato.

Segundo a reportagem, o Departamento de Estado dos EUA está bloqueando os vistos de dois agentes da Polícia Federal designados para trabalhar no combate a crimes transnacionais com agências federais americanas. Um deles substituiria Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da PF expulso dos EUA após atuar na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

O governo americano também teria recusado um pedido de visita de agentes da alfândega e da Receita Federal do Brasil que investigam lavagem de dinheiro e tráfico de armas por quadrilhas internacionais de drogas. A CNN Brasil procurou o Departamento de Estado para comentar, mas não obteve resposta até a publicação.

Em nota ao NYT, o Departamento de Estado afirmou que o governo Trump está protegendo "a nação e seus cidadãos, ao manter os mais elevados padrões de segurança nacional e segurança pública por meio de nosso processo de vistos". Disse ainda que continuaria trabalhando com o Brasil em prol de "interesses compartilhados de longa data".

Autoridades brasileiras ouvidas pelo jornal afirmam que, em resposta, o Brasil está segurando o visto de uma autoridade policial americana que viria trabalhar no país.

Especialistas consultados pela publicação avaliam que a cooperação técnica e o compartilhamento de inteligência continuam, mas a falta de coordenação de alto nível pode afetar operações maiores. As fontes explicam que grupos criminosos brasileiros usam o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro e as leis mais flexíveis de posse e porte de armas de alguns estados americanos para contrabandear armamento ilegal.

O Brasil é apontado como rota crucial de tráfico de cocaína para a Europa, África e outras partes do mundo, com facções brasileiras se aliando a gangues do México e da Colômbia para levar drogas para fora da América Latina.

O jornal destaca que a falta de cooperação já levou a pelo menos um desencontro de policiamento. Em julho, a PF afirmou que a sanção imposta pelos EUA contra dois brasileiros apontados por ligação com o PCC levou à antecipação da Operação Exchange e pode ter impactado o resultado da ação, incluindo a fuga de um dos investigados.

O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) foram classificados como terroristas pelos Estados Unidos, segundo o governo americano, como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras".

Para quem acompanha o dia a dia da segurança pública, o efeito prático é direto: menos troca de informação entre as polícias pode significar investigações mais lentas e maior dificuldade para rastrear dinheiro e armas que saem do país. A orientação é acompanhar os desdobramentos pelas fontes oficiais, como a Polícia Federal e o Ministério da Justiça, e desconfiar de números sem origem confirmada.

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