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Correios não deveriam tirar verba da saúde, diz IFI

ResumoA Instituição Fiscal Independente (IFI) criticou o aporte de R$ 6 bilhões do governo federal aos Correios em 2027, afirmando que a verba deveria priorizar saúde e educação. A estatal registrou prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre, alta de 30% em relação ao período anterior. A IFI considera o socorro financeiro inadequado diante das necessidades sociais.

Correios têm prejuízo de R$ 5,5 bi no 1º semestre, alta de 30%. Governo confirma aporte de R$ 6 bi em 2027. Especialista da IFI critica: verba deveria ir para saúde e educação.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Correios não deveriam tirar verba da saúde, diz IFI

Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de pouco mais de 30% frente ao resultado negativo de R$ 4,2 bilhões do mesmo período de 2025. O governo confirmou um aporte de R$ 6 bilhões do orçamento de 2027 no caixa da estatal, com proposta a ser enviada ao Congresso Nacional. A medida integra acordo de empréstimos firmado pela empresa no fim de 2025.

Para Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), a situação dos Correios é estrutural. "Não é uma crise episódica, pontual, não é uma questão momentânea por um erro ou outro. É uma questão muito mais estrutural do modelo de negócios", afirmou ao CNN Agora. O especialista lembra que a empresa se sustentava no monopólio de cartas e telegramas, modelo superado pelo e-mail e WhatsApp. O Banco Postal, que bancarizou parte da população, também perdeu espaço para fintechs e bancos digitais.

Pestana alerta para o impacto no orçamento. O Tesouro Nacional já avalizou empréstimo de R$ 12 bilhões à estatal. Se os Correios não honrarem a dívida, a conta fica para a sociedade. "Se os Correios não pagarem, o Tesouro Nacional, ou seja, eu, você, todos nós, vamos ter que pagar essa conta", declarou. Ele ressalta o aperto orçamentário: "Nós estamos colocando R$ 6 bilhões nos Correios. Esses R$ 6 bilhões podiam ir para a educação de qualidade, para a melhoria do SUS e para o Sistema Único de Segurança Pública para melhorar o combate ao crime organizado".

Em nota, os Correios atribuíram o resultado ao plano de reestruturação, que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia e aumento de eficiência operacional. Ministros do governo afirmam que o recurso dará estabilidade nas negociações com clientes e fornecedores.

Pestana reconhece a boa-fé da direção, mas vê pouca chance de recuperação. No segmento de encomendas, principal frente atual, empresas privadas operam com custos menores. "Não é uma questão de incompetência ou de erro de gestão aqui e ali. É uma questão de obsolescência tecnológica", concluiu. Para quem acompanha o tema, a recomendação é acompanhar a tramitação do aporte no Congresso e os desdobramentos do plano de reestruturação plano de reestruturação dos Correios.

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