# Copom não fechou portas para novos cortes, diz economista

> O Copom reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano e, segundo a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, o comunicado do colegiado não fechou as portas para novos cortes. O principal risco para a continuidade do ciclo de queda, segundo a economista, é o cenário fiscal pós-eleição.

*Portal Notícias MG · Serviços · 17 de setembro de 2026 · Inácio Bicalho*

O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano e, segundo a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, o comunicado não fechou as portas para novas reduções. O risco apontado é o cenário fiscal pós-eleição.

O Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (16), corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 13,75% ao ano. Em entrevista ao CNN Money, Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, avaliou que o comunicado não encerrou a possibilidade de novas reduções nas próximas reuniões.

O que mudou, na leitura dela, é o tom. O documento repetiu em grande parte o texto anterior, mas manteve a frase de que a magnitude da calibração será definida pelos dados. "Então, ela não está definida, ou seja, as portas não se fecharam para novos cortes", afirmou. A instituição ainda não sinalizou se fará pausa ou se continuará o ciclo de afrouxamento monetário.

A novidade dos últimos meses, segundo Vitória, é a menção à desaceleração da atividade econômica. O próprio Banco Central divulgou, na mesma data, indicador de atividade de julho com resultado negativo de 0,2%. "A gente começa o PIB do terceiro trimestre no território negativo, existe até uma chance de um PIB negativo no trimestre", disse. Para ela, atividade mais fraca somada a inflação em desaceleração cria pano de fundo favorável a novo corte em novembro, com projeção do Inter de dois cortes e Selic encerrando o ano em 13,25%.

O que pode frustrar essa perspectiva? O cenário fiscal após as eleições. "O grande risco que a gente vê hoje é um risco pós-eleição: o que será anunciado após as eleições do ponto de vista da política fiscal para 2027", afirmou. Um programa crível de contenção de gastos ancoraria expectativas e abriria espaço para cortes maiores; novos estímulos pressionariam câmbio e inflação, podendo interromper o ciclo.

No ambiente externo, Vitória avalia que a alta dos juros nos Estados Unidos não é obstáculo imediato, pois o patamar da taxa brasileira preserva o diferencial de juros. O petróleo alto por muito tempo, porém, poderia gerar pressão via commodities agrícolas e custos de transporte, com impacto transitório. "O grande risco do petróleo muito alto por muito tempo é trazer uma recessão global", alertou.

Sobre o mercado de trabalho, com desemprego de 5,4%, mínima histórica para o mês, ela lembrou que o emprego é a última variável a reagir à desaceleração. Na margem, já há perda de força: menos vagas formais e desaceleração da renda real média. "O emprego ainda está muito robusto, mas a pressão inflacionária nos salários começa também a reduzir", disse, classificando o movimento como boa notícia para o Banco Central.

Uma Selic de um dígito é plausível, mas condicionada à recuperação da confiança na política fiscal. Com taxa neutra entre 3% e 4% e inflação na meta, seria possível ter Selic próxima de 7%. "Para isso, precisamos ter de volta a confiança na política fiscal, principalmente no que diz respeito à expansão desenfreada dos gastos", concluiu.

Fonte: CNN Brasil.

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