# Condenado por racismo após fazer comparação entre torcedoras na web tem pena substituída

> O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) converteu em prestação de serviços a pena de um homem condenado por racismo. A condenação ocorreu após o réu comparar torcedoras negras do Bahia com torcedoras brancas do Grêmio em comentário na internet. A decisão, divulgada em 20 de janeiro, cabe recurso.

*Portal Notícias MG · Serviços · 21 de julho de 2026 · Cláudia Resende*

Um homem condenado por racismo após comparar torcedoras negras do Bahia com torcedoras brancas do Grêmio teve a pena convertida em prestação de serviços. A decisão foi divulgada na segunda-feira (20) pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Cabe recurso.

Um homem condenado por racismo após fazer uma comparação entre torcedoras negras do Bahia e torcedoras brancas do Grêmio, em 2017, teve a pena convertida para prestação de serviços. A decisão foi divulgada na segunda-feira (20) pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Cabe recurso.

O caso foi denunciado pela vítima, Edna Matos, que na época ocupava o cargo de diretora no campus do Instituto Federal da Bahia (Ifba) na cidade de Santo Antônio de Jesus, a cerca de 184 km de Salvador. Na ocasião, Edna teve a imagem dela e da filha, ambas negras e usando camisas do Bahia, comparada com torcedoras brancas do Grêmio junto com a frase: "ainda tem gente que acha que time é tudo igual". O compartilhamento racista começou em um aplicativo de mensagens e viralizou nas redes sociais.

"A legenda que acompanha a montagem e que dá título à postagem sugere que apenas as gremistas são bonitas. Somos negras, mulheres e belas (nesta ordem de importância)", disse Edna em uma publicação nas redes sociais.

## Entenda o caso de racismo que levou à condenação

A montagem com a comparação foi denunciada em uma postagem nas redes sociais da prefeitura de Salvador. A imagem mostrava, de um lado, Edna e a filha, torcedoras negras do Bahia, e do outro, torcedoras brancas do Grêmio, com a frase que sugeria que apenas as gremistas eram bonitas. O conteúdo viralizou e gerou uma denúncia formal.

A vítima, Edna Matos, na época diretora no campus do Ifba em Santo Antônio de Jesus, foi quem levou o caso às autoridades. A comparação racista, que começou em um aplicativo de mensagens, foi considerada crime de racismo pela Justiça baiana.

### O que diz a decisão do TJ-BA

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiu converter a pena do condenado para prestação de serviços. A decisão foi divulgada na segunda-feira (20). Ainda cabe recurso da decisão, o que significa que o caso pode ser reavaliado em instâncias superiores.

A conversão da pena para prestação de serviços é uma possibilidade prevista na legislação brasileira para crimes considerados de menor potencial ofensivo ou quando o réu preenche requisitos legais. No entanto, o racismo é crime inafiançável e imprescritível no Brasil, e a substituição da pena não altera a condenação.

## Como funciona a prestação de serviços como pena

A prestação de serviços à comunidade é uma das penas alternativas previstas no Código Penal brasileiro. Ela substitui a prisão quando o réu é condenado a uma pena privativa de liberdade de até quatro anos e não reincidente em crime doloso. O condenado deve realizar atividades gratuitas em entidades públicas ou comunitárias, por um período que corresponde à pena original.

No caso de crimes de racismo, a substituição da pena é possível, mas depende da análise do juiz sobre o caso concreto. A decisão do TJ-BA, nesse sentido, considerou os requisitos legais para a conversão.

### O que cabe recurso na decisão

A informação de que cabe recurso da decisão significa que tanto a defesa quanto a acusação podem questionar a sentença em tribunais superiores. O recurso pode ser interposto para discutir a legalidade da conversão da pena ou outros aspectos do processo. O caso, portanto, ainda pode ter novos desdobramentos jurídicos.

## Impacto do racismo nas redes sociais

Casos como esse mostram como o racismo se manifesta também no ambiente digital. A comparação entre torcedoras, com conotação racista, viralizou e gerou consequências legais. A denúncia de Edna Matos e a condenação do autor reforçam que a Justiça pode responsabilizar quem pratica racismo, inclusive em publicações online.

A frase "ainda tem gente que acha que time é tudo igual", usada na montagem, foi interpretada como uma tentativa de desqualificar as torcedoras negras do Bahia em comparação com as brancas do Grêmio. Para Edna, a legenda sugeria que apenas as gremistas eram bonitas, o que configura racismo.

## O papel do Instituto Federal da Bahia (Ifba) no caso

Edna Matos era diretora no campus do Ifba em Santo Antônio de Jesus na época dos fatos. O Instituto Federal da Bahia é uma instituição de ensino que oferece cursos técnicos e superiores, e a atuação de Edna como diretora mostra a representatividade de mulheres negras em cargos de liderança na educação pública.

O caso também chama atenção para a importância de instituições de ensino no combate ao racismo. A denúncia partiu de uma servidora pública que, ao ter sua imagem e a da filha usadas de forma racista, buscou a Justiça para responsabilizar o autor.

## Perguntas Frequentes

### O que é considerado crime de racismo?

Crime de racismo é toda prática de discriminação ou preconceito baseado em raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. No Brasil, é crime inafiançável e imprescritível, previsto na Lei 7.716/1989.

### A pena de prestação de serviços substitui a condenação?

Não. A condenação permanece, mas a pena privativa de liberdade é substituída por prestação de serviços à comunidade, desde que o réu preencha os requisitos legais.

### Quem foi a vítima do caso?

A vítima foi Edna Matos, que na época era diretora no campus do Instituto Federal da Bahia (Ifba) em Santo Antônio de Jesus. Ela e a filha tiveram a imagem usada em uma montagem racista.

### Onde o caso foi denunciado?

A montagem foi denunciada em uma postagem nas redes sociais da prefeitura de Salvador. O conteúdo viralizou e levou à condenação do autor.

### Cabe recurso da decisão do TJ-BA?

Sim, cabe recurso da decisão. Ainda é possível que o caso seja reavaliado em instâncias superiores.

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