# Enel SP reduz 60% atendimento emergencial em meio a risco de concessão

> Enel SP reduziu o tempo médio de atendimento emergencial de 759 para 306 minutos entre 2023 e 2026, queda de 60%, segundo dados da Aneel. A melhora ocorre enquanto a agência reguladora avalia processo que pode resultar na perda da concessão da distribuidora no estado de São Paulo.

*Portal Notícias MG · Serviços · 14 de setembro de 2026 · Ronaldo Pimenta*

Levantamento com dados da Aneel mostra que a Enel SP reduziu o tempo médio de atendimento a emergências de 759 para 306 minutos entre 2023 e 2026. A melhora ocorre enquanto a agência avalia processo que pode levar à perda da concessão.

A Enel Distribuição São Paulo reduziu em 59,7% o tempo médio de atendimento a emergências entre os sete primeiros meses de 2023 e o mesmo período de 2026, segundo levantamento com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O tempo caiu de 759 para 306 minutos, ou de 12 horas e 39 minutos para 5 horas e 6 minutos, cerca de sete horas e meia a menos por ocorrência, em média.

O TMAE (Tempo Médio de Atendimento a Emergências) é um dos indicadores publicados pela Aneel para acompanhar a resposta das distribuidoras às ocorrências emergenciais. Na prática, quanto menor o TMAE, mais rápido o consumidor volta a ter energia. O indicador exclui as chamadas situações de emergência, como ciclones, alagamentos extremos ou eventos fora do controle operacional, os chamados expurgos. Eventos como os apagões enfrentados pela Enel não entram no cálculo.

Na comparação entre 33 distribuidoras que atendem mais de 500 mil unidades consumidoras, a Enel SP passou da terceira pior média de atendimento em 2023 para a quinta menor em 2026. A redução ocorreu ao longo dos quatro anos: em 2024, a distribuidora registrou 680 minutos; em 2025, 434 minutos. Só na passagem de 2025 para 2026, a queda foi de 29,6%. Das 33 distribuidoras comparadas, 19 reduziram o tempo de atendimento entre 2023 e 2026, enquanto 14 registraram aumento. A CPFL Piratininga teve o menor tempo em 2026, com média de 180 minutos, equivalentes a três horas.

O resultado aparece em meio ao processo que pode levar à perda da concessão. A Aneel instaurou o procedimento após avaliar falhas no atendimento durante eventos climáticos severos em 2023, 2024 e 2025, que deixaram milhões de consumidores sem energia por períodos prolongados. Na decisão que abriu o processo, em 7 de abril, a agência apontou demora no atendimento, aumento de interrupções superiores a 24 horas e falhas no planejamento e na execução dos planos de contingência. A agência concluiu que as medidas adotadas pela Enel não haviam sido suficientes para corrigir os problemas identificados.

Segundo Guilherme Lencastre, presidente da Enel São Paulo, a empresa contratou cerca de 1.600 profissionais e investiu cerca de R$ 5 bilhões na modernização, resiliência e expansão da infraestrutura elétrica, além de duplicar o volume anual de podas de árvores. "Reduzimos em cerca de 60% o tempo médio de atendimento aos clientes e saltamos para a 5ª posição no ranking das 33 distribuidoras avaliadas. Trata-se de uma evolução expressiva, a maior entre todas as distribuidoras (...). Esses resultados comprovam que estamos no caminho certo e reforçam nossa capacidade de seguir investindo, dando continuidade ao ciclo de melhorias", disse.

A melhora pontual de indicadores não afasta a caracterização de inadequação do serviço, registrou a decisão da Aneel, posicionamento anterior ao fechamento do recorte de janeiro a julho de 2026 usado no levantamento. Nas alegações finais apresentadas neste mês, a Enel contestou os critérios utilizados pela agência e pediu a anulação do processo. A empresa sustenta que cumpre os indicadores regulatórios de duração e frequência das interrupções e questiona a existência de uma métrica previamente definida para o restabelecimento do serviço após eventos climáticos severos.

Ao concluir o processo, a Aneel decidirá se recomenda ao Ministério de Minas e Energia a caducidade, ou seja, o encerramento antecipado da concessão por descumprimento de obrigações. A decisão final cabe ao ministério. A distribuidora atende 8,9 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios paulistas, incluindo a capital.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/concessao-risco-enel-sp-reduz-quase-60-atendimento-emergencial/
