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Como são medidos os prazos de validade dos alimentos? Veja

O prazo de validade dos alimentos é o período em que um produto pode ser consumido com segurança, definido pelo próprio fabricante. Mas quem garante que esse prazo é confiável? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o órgão que fiscaliza as empresas no cuidado com a qualidade do que é vendido no país. Em 2018, a agência publicou o Guia nº 16/2018, um documento público que orienta os fabricantes sobre quais testes aplicar para medir a durabilidade de cada alimento.

A resposta direta: o prazo de validade é definido pelo fabricante, que segue testes orientados pela Anvisa. No guia, a agência explica como avaliar a durabilidade de cada produto, considerando que todos os alimentos são perecíveis por natureza. As mudanças na qualidade dependem da manipulação e do armazenamento feitos pelo fabricante, pelo revendedor e pelo consumidor. Alguns alimentos são mais perecíveis, como carnes cruas e peixes, que duram poucos dias. Já os processados costumam durar algumas semanas.

Na prática, a deterioração se manifesta de formas diferentes. Embutidos começam a ficar com mau odor e viscosos, enquanto pães e biscoitos ficam mofados ou moles. Alimentos secos ou esterilizados, por outro lado, não costumam apresentar deterioração perceptível mesmo após alguns anos de armazenamento. Isso explica por que a validade varia tanto entre produtos.

Para determinar a validade, o fabricante precisa primeiro entender como neutralizar os processos de deterioração do que produz. Esse é o passo inicial antes de estipular o prazo. No meu trabalho de cobertura no interior de Minas, vejo produtores que lidam com esse desafio diariamente, principalmente com queijos e embutidos, que exigem cuidado redobrado.

O guia da Anvisa não define prazos fixos, mas estabelece critérios para que cada fabricante avalie seu produto. Isso significa que o prazo estampado na embalagem depende de testes específicos, que consideram o tipo de alimento, a forma de produção e o armazenamento. Para o consumidor, a orientação é simples: respeitar o prazo e observar sinais de deterioração, como cheiro, textura e aparência alterados.

A seca e o calor do interior afetam a conservação dos alimentos, algo que quem vive da terra conhece bem. Por isso, a validade não é só uma questão de etiqueta: é uma medida de segurança que começa na fabricação e termina na sua mesa. como armazenar alimentos na seca dicas para evitar desperdício de comida

Quando o assunto é validade, a responsabilidade é compartilhada. O fabricante define o prazo com base em testes, o revendedor precisa armazenar corretamente, e o consumidor deve seguir as instruções. Se algum elo falhar, o alimento pode deteriorar antes do prazo indicado. Fica o alerta: confie na data, mas use os sentidos. O prazo é uma referência, não uma garantia absoluta.

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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