Como preparar cachorro ou gato para viajar com segurança
Viagens mal planejadas estão entre as principais causas de ansiedade, enjoo e hipertermia em pets. Veterinários ouvidos pela CNN Brasil explicam o que fazer antes de colocar o animal no carro ou embarcar em um avião.
As férias de fim de ano se aproximam e cresce o número de famílias que decidem levar o cachorro ou o gato para a viagem. A decisão, porém, exige preparo: viagens mal planejadas estão entre as principais causas de crises de ansiedade, enjoo, fuga e até quadros graves de hipertermia em pets.
Para viajar com segurança, comece a habituar o animal à caixa de transporte dias antes, faça uma consulta veterinária, mantenha vacinas e vermífugos em dia, evite refeições grandes antes do trajeto e faça paradas a cada duas ou três horas no carro.
O que fazer antes de colocar o pet na estrada
Segundo o médico-veterinário Carlos Rabelo, o processo de habituação à caixa de transporte e ao veículo precisa começar com antecedência, para que esses elementos sejam associados à segurança, e não à punição. Também é essencial mapear a rota e ter à mão contatos de clínicas veterinárias de plantão no destino, além de atualizar o controle de pulgas, carrapatos e vermífugos conforme as doenças endêmicas da região visitada, como a leishmaniose ou a dirofilariose, conhecida como verme do coração.
A médica-veterinária Juliana Mori, do Hospital Pet Stop Unaí, reforça que o planejamento envolve verificar se o destino tem estrutura adequada para receber o animal, o que inclui hospedagens pet friendly que aceitam cães em quartos e áreas comuns. Já a médica-veterinária Pillar Gomide destaca que animais idosos, filhotes ou com doenças crônicas exigem atenção redobrada, porque o perfil de cada pet muda o nível de cuidado necessário durante o trajeto.
Os três especialistas concordam que passar por uma consulta antes da viagem é recomendado, principalmente em deslocamentos longos, aéreos ou internacionais. Nesse atendimento, o veterinário avalia mucosas, hidratação e parâmetros gerais de saúde, confirma o controle parasitário e verifica se as vacinas, sobretudo a antirrábica, estão em dia. Animais cardiopatas ou com doenças respiratórias podem precisar de exames complementares, como raio-x ou ecocardiograma.
Documentos, caixa de transporte e cuidados no caminho
A documentação varia conforme o tipo de deslocamento. Em viagens dentro do Brasil, cães e gatos costumam ser dispensados da Guia de Trânsito Animal, mas o tutor deve levar a carteira de vacinação atualizada e, quando exigido pela empresa de transporte ou pelo destino, um atestado de saúde emitido pelo veterinário. Em voos internacionais, o processo exige o Certificado Veterinário Internacional, emitido pelo Ministério da Agricultura, microchipagem no padrão internacional e, dependendo do país, laudo sorológico de anticorpos da raiva solicitado com meses de antecedência. Pillar lembra ainda que o tutor pode cadastrar o pet gratuitamente no SinPatinhas, serviço do governo federal que emite uma carteirinha com QR Code, embora o documento não substitua a carteira de vacinação nem o atestado de saúde.
Na escolha da caixa de transporte, a regra prática é que o animal consiga ficar em pé, girar o corpo em 360 graus e se deitar sem encostar nas paredes. Segundo Pillar, a adaptação não deve começar no dia da viagem: o ideal é deixar a caixa disponível em casa por alguns dias, com petiscos, brinquedos ou um tecido com o cheiro do animal dentro dela. "Essa familiaridade reduz o estresse e melhora muito a experiência durante o deslocamento", explica a veterinária.
Sobre a alimentação, a orientação é evitar refeições grandes nas horas anteriores à viagem, sobretudo para animais com histórico de enjoo, e priorizar porções leves. A hidratação deve ser mantida, com pequenas quantidades de água nas paradas. Em casos de cinetose, os veterinários desaconselham receitas caseiras e recomendam antieméticos específicos, prescritos individualmente. No carro, a recomendação é parar a cada duas ou três horas; o ar-condicionado ajuda a evitar a hipertermia, risco alto em raças braquicefálicas, como buldogues.
Os especialistas alertam ainda contra deixar o pet sozinho dentro do veículo, mesmo por poucos minutos. A temperatura interna de um carro pode ultrapassar os 50°C rapidamente, mesmo em dias amenos, o que pode levar a hipertermia, desidratação, edema pulmonar e falência de múltiplos órgãos. "Inclusive, pode ser considerado maus-tratos deixar um pet sozinho dentro do veículo".
Cada companhia aérea define suas próprias regras de peso, dimensões da caixa e número de animais por voo, além de decidir se o transporte é feito na cabine ou como carga. Muitas restringem raças braquicefálicas no compartimento de carga. A recomendação é priorizar voos diretos, evitar conexões longas e escolher horários mais frescos. Para voos internacionais, o planejamento costuma exigir pelo menos 90 dias de antecedência.
Respiração ofegante fora do padrão, salivação excessiva, tremores, vômitos e tentativas de fuga são sinais de que o animal não está lidando bem com o deslocamento. Nesses casos, pare o veículo em local seguro, reduza estímulos sonoros e visuais e garanta ventilação; se os sintomas persistirem ou as mucosas ficarem pálidas ou arroxeadas, procure atendimento veterinário de emergência. Sobre calmantes, o consenso é evitar a automedicação: sedativos tradicionais bloqueiam a movimentação sem eliminar o pânico e podem causar queda de pressão e perda de controle térmico. "O fato de um medicamento funcionar para um animal não garante segurança para outro, o que reforça a necessidade de avaliação veterinária antes de qualquer intervenção medicamentosa", finaliza Pillar.