Como a IA está encarecendo a vida nos EUA - e as lições para o mundo
A inteligência artificial está pressionando a inflação nos Estados Unidos, com impacto em energia, semicondutores e eletrônicos. Especialistas apontam que os efeitos devem se ampliar, enquanto o Federal Reserve monitora a situação de perto.
A inteligência artificial está pressionando a inflação nos Estados Unidos, com efeitos que vão além das contas de energia. Dados recentes indicam que o investimento em IA, estimado em US$ 750 bilhões apenas neste ano, elevou preços em diversas categorias, impactando o bolso dos americanos.
Segundo Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, as famílias precisam gastar pouco mais de US$ 375 a mais para adquirir os mesmos bens e serviços que compravam há um ano, por causa do impacto inflacionário da IA. Ainda assim, o efeito é modesto: a IA contribui com 0,2 ponto percentual da inflação geral, concentrado em poucas áreas.
Onde a IA já aparece na inflação
Os data centers de IA consomem grandes volumes de energia e água, e a rápida expansão dessas instalações ameaça sobrecarregar as redes elétricas. A PJM Interconnection, maior operadora de rede dos EUA, observou que os data centers podem ser construídos no dobro ou triplo do ritmo da geração de eletricidade necessária para atendê-los.
Pooja Sriram, economista do Barclays, afirmou que os data centers estão dispostos a pagar preços mais altos por eletricidade, o que acaba elevando as tarifas residenciais. Dados do Índice de Preços ao Consumidor mostram que os preços de eletricidade subiram cerca de duas vezes mais rápido em 2025 do que a média anterior. Em junho, caíram 1%, mas ainda estão 4% acima em relação ao ano anterior.
O impacto nos chips de memória
A demanda dos data centers também gerou aumento na procura por chips de memória. Sriram destacou que a oferta de chips de memória para consumo foi desviada para produtos de alto desempenho exigidos pelos data centers, elevando os custos.
Em junho, os preços no atacado de semicondutores e componentes eletrônicos acumulavam alta de 26% em relação ao ano anterior, segundo dados do Índice de Preços ao Produtor. Em junho de 2025, esses preços caíam 0,8%.
Eletrônicos de consumo mais caros
A Apple aumentou os preços de alguns produtos em cerca de 20%, citando um "aumento extraordinário" na demanda por memória e armazenamento causado pelos data centers de IA. A Sony e a Microsoft também elevaram os preços de seus consoles PlayStation e Xbox, respectivamente, por razões semelhantes.
Computadores e hardware, historicamente deflacionários, registraram inflação no primeiro semestre de 2026, segundo o Bureau of Labor Statistics.
Software e serviços
A Microsoft aumentou os preços do Office 365 em 43% em fevereiro, após uma década de estabilidade, com a inclusão do Copilot, sua ferramenta de IA.
Alerta do Federal Reserve
A dinâmica inflacionária deixou os dirigentes do Federal Reserve, incluindo o novo presidente do banco central, em alerta. Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que o repasse de preços mais altos ao consumidor está no início.
Perguntas Frequentes
A IA é a principal causa da inflação nos EUA?
Não. A IA contribui com 0,2 ponto percentual da inflação geral, ainda um fator menor, mas com tendência de crescimento.
Quais setores são mais afetados?
Energia elétrica, semicondutores, eletrônicos de consumo e software empresarial estão entre os mais impactados.
Os preços vão continuar subindo?
Especialistas esperam que as pressões inflacionárias da IA persistam e possam se ampliar, sem previsão de alívio no curto prazo.
Como o Federal Reserve reage?
O banco central americano monitora a situação, com o novo presidente em alerta sobre os possíveis impactos na economia.
O que os consumidores podem fazer?
Acompanhar os preços e buscar alternativas pode ajudar, mas o efeito é sistêmico e difícil de evitar individualmente.