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Como o cuidado da saúde aos 40 anos melhora a vida aos 70?

O cuidado com a saúde aos 40 anos pode ser decisivo para a forma como se vive aos 70. A comparação vem da fábula da formiga e da cigarra: quem se prepara para envelhecer, como a formiga, tende a manter a independência; quem não se prepara, como a cigarra, pode depender mais dos outros. O organismo funciona como um sistema aberto, que recebe matéria e energia do ambiente e as transforma, liberando calor e resíduos, como uma casa que só se mantém organizada porque coloca a desordem para fora.

Respirar também tem um custo biológico. O oxigênio, ao participar da produção de energia, pode originar espécies reativas, entre elas os radicais livres. Quando ultrapassam as defesas do corpo, contribuem para danos celulares, inclusive nos telômeros, estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos. Eles tendem a encurtar com as divisões celulares, e o estresse oxidativo pode acelerar esse processo.

A longevidade humana aumentou com os avanços da medicina e da sociedade, que reduziram mortes precoces por infecções, traumas e doenças. O desafio, então, é viver esses anos a mais com autonomia, evitando a dependência por algo que poderia ter sido prevenido. Hipertensão, diabetes, colesterol LDL elevado, triglicérides altos, obesidade, tabagismo e sedentarismo podem permanecer silenciosos enquanto aumentam o risco cardiovascular. O LDL elevado favorece a aterosclerose, que atinge as artérias, e eleva o risco de doença vascular cerebral, que pode contribuir para a demência vascular. Na meia-idade, também está associado a maior risco futuro de demência por doença de Alzheimer. Por isso, cuidar do colesterol aos 40 anos pode repercutir na saúde do cérebro aos 70.

Outro patrimônio construído antes do envelhecimento é o músculo. O tecido muscular esquelético não se resume à estética: participa do metabolismo e funciona como reserva de proteínas e aminoácidos. Em períodos de doença e internação, o organismo pede ajuda ao músculo, usando aminoácidos para produzir proteínas de defesa e sustentar a atividade dos leucócitos, os soldados do organismo. Preservar a força muscular ajuda a manter a marcha, o equilíbrio, a capacidade de levantar-se e a independência.

A prevenção aos 40 inclui não fumar; evitar o excesso de álcool; praticar exercícios aeróbicos e de força; cuidar da alimentação, do sono e da saúde mental; tratar perdas auditivas e visuais; manter-se cognitivamente ativo e preservar vínculos sociais. Adoecer e perder autonomia não são consequências inevitáveis do envelhecimento.

Cuidar da saúde aos 40 não significa adiar a vida em nome dos 70. Nas entrelinhas da fábula, fica a lição que atravessa gerações: aproveitar o presente sem deixar de se preparar para o futuro, preservando o que mais importa, a independência para viver. As orientações são do médico geriatra Arnaldo Pinto Guedes de Paiva Neto, autor de "Palimpsesto: O corpo que se reescreve", obra que integra evidências científicas e reflexão teórica sobre como a vida preserva informações apesar das constantes mudanças.

Vânia Drummond
Repórter de Cultura Mineira
De Ouro Preto, cobre cultura e patrimônio de Minas, do barroco ao festival de inverno com olhar afetivo.
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