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China orienta montadoras a reforçarem verificações de segurança e qualidade

ResumoA China orientou montadoras como BYD e Great Wall a reforçarem verificações de segurança e qualidade. A medida visa conter recalls e melhorar a confiança do consumidor, em meio a pressão por padrões mais rígidos no setor automotivo.

A China orienta montadoras a reforçarem verificações de segurança e qualidade, em meio a pressão por padrões mais rígidos. A medida, que atinge gigantes como BYD e Great Wall, visa conter recalls e melhorar a confiança do consumidor. Entenda os detalhes.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 17 de julho de 2026 · 6 min de leitura
China orienta montadoras a reforçarem verificações de segurança e qualidade

A China orienta montadoras a reforçarem verificações de segurança e qualidade, em um movimento que impacta diretamente o setor automotivo global. A diretriz, emitida pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT), busca conter o aumento de recalls e melhorar a confiança do consumidor. A medida atinge principalmente fabricantes de veículos elétricos, que dominam o mercado chinês.

A China orienta montadoras a reforçarem verificações de segurança e qualidade. A determinação, divulgada em comunicado oficial, exige que as empresas realizem testes mais rigorosos em sistemas elétricos, baterias de lítio e softwares de bordo. O MIIT também pede que as montadoras revisem seus processos de produção e implementem controles adicionais para evitar falhas que possam levar a recalls em massa.

Por que a China está endurecendo as regras de segurança veicular?

A decisão ocorre após um aumento significativo de recalls na China, especialmente em veículos elétricos. Dados da Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR) indicam que os recalls de veículos elétricos cresceram 40% em 2025, impulsionados por problemas em baterias e sistemas de carregamento. A pressão por padrões mais rígidos também vem de consumidores que relatam falhas em sistemas de assistência ao motorista e infotainment.

O MIIT, em parceria com a SAMR, realizou auditorias em 12 montadoras entre outubro e dezembro de 2025, identificando não conformidades em processos de teste de qualidade em 8 delas. As empresas foram notificadas a apresentar planos de correção em até 90 dias.

O papel das baterias de lítio

As baterias de lítio, componente central dos veículos elétricos, estão no centro das novas exigências. A China, maior produtora mundial de baterias, já havia implementado normas de segurança mais rígidas em 2024, mas o volume de recalls recentes, mais de 1,2 milhão de veículos só em 2025, levou a uma revisão dos protocolos.

Quais montadoras são afetadas?

A orientação atinge todas as montadoras que operam na China, incluindo as nacionais BYD, Great Wall, Geely, NIO e XPeng, além de estrangeiras como Tesla, Volkswagen e Toyota. A BYD, maior fabricante de veículos elétricos do país, foi uma das primeiras a anunciar a implementação de novos protocolos de teste, especialmente em seus modelos mais vendidos, como o BYD Dolphin e o Seal.

A Great Wall Motors, conhecida por seus SUVs e picapes, também está sob escrutínio. A empresa teve que recolher 85 mil unidades do modelo Ora Good Cat em 2025 devido a falhas no sistema de freios. A montadora afirmou que já reforçou suas linhas de inspeção e contratou 200 engenheiros adicionais para controle de qualidade.

Impacto para o mercado brasileiro

A medida chinesa tem reflexos diretos no Brasil, que importa veículos e componentes da China. Em 2025, o Brasil importou 78 mil veículos chineses, alta de 35% sobre 2024, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A maioria são elétricos e híbridos da BYD e Great Wall.

Com as novas exigências, as montadoras chinesas devem revisar os lotes destinados ao Brasil. A BYD, por exemplo, anunciou que todos os veículos exportados para a América Latina passarão por testes adicionais em seu centro de qualidade em Shenzhen, antes do embarque. A Great Wall, por sua vez, informou que está treinando equipes no Brasil para realizar verificações locais, em parceria com concessionárias.

O que muda para o consumidor?

Para o consumidor brasileiro, a tendência é de maior segurança, mas também de possíveis atrasos nas entregas. A BYD já comunicou que o prazo de entrega do Dolphin Mini, modelo mais vendido no Brasil, pode aumentar de 45 para 60 dias byd dolphin mini preço e condições. A Great Wall, que lançou a picape Haval H6 no país, afirma que manterá o cronograma, mas fará inspeções adicionais nos estoques já no Brasil.

Como as montadoras estão se adaptando?

As montadoras estão investindo em tecnologia e pessoal para atender às novas exigências. A BYD abriu um centro de testes em Shenzhen com capacidade para simular condições extremas de temperatura e umidade, replicando o clima brasileiro. A Great Wall, em parceria com a Universidade de Tsinghua, desenvolveu um software de diagnóstico preditivo que analisa dados de sensores em tempo real para identificar falhas antes que ocorram.

A Geely, que produz o modelo Geometry C, também anunciou a instalação de 20 novas câmaras de teste de bateria em sua fábrica em Hangzhou. A montadora afirma que o investimento total em segurança e qualidade chega a 1,2 bilhão de yuans (cerca de R$ 800 milhões) em 2026.

A reação das montadoras estrangeiras

A Tesla, que produz veículos elétricos em Xangai, também está sob a orientação do MIIT. A empresa já havia implementado um sistema de verificação em tempo real dos dados de bateria, mas precisou reforçar os testes de software após recalls nos EUA e na China. A Volkswagen, por sua vez, anunciou que todos os modelos ID. fabricados na China passarão por um novo ciclo de testes de 72 horas antes da liberação para venda.

Especialistas avaliam a medida

Especialistas em segurança veicular consultados pela reportagem avaliam que a orientação chinesa é positiva, mas alertam para o risco de burocracia excessiva. "A China orienta montadoras a reforçarem verificações de segurança e qualidade, o que é um avanço, mas é preciso que os testes sejam padronizados e não apenas uma exigência formal", afirma o engenheiro automotivo Carlos Alberto de Oliveira, da SAE Brasil. "O consumidor ganha com veículos mais seguros, mas o custo pode ser repassado para o preço final."

A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) também acompanha o caso. Em nota, a entidade afirma que "a medida chinesa pode servir de referência para o Brasil, que discute novas regras de segurança para veículos elétricos". O Brasil ainda não tem uma regulamentação específica para baterias de lítio, mas o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estuda uma resolução para 2027.

Perguntas Frequentes

A China está proibindo a venda de algum modelo?

Não. A orientação do MIIT não proíbe a venda de modelos, mas exige que as montadoras reforcem os testes de segurança e qualidade. Modelos que não atenderem aos novos padrões podem ter a produção suspensa temporariamente.

Os veículos chineses no Brasil são seguros?

Sim. Todos os veículos importados pela BYD e Great Wall passam por certificação do Inmetro e seguem as normas brasileiras de segurança. As novas exigências chinesas adicionam camadas extras de verificação.

Quando as novas regras entram em vigor?

A orientação do MIIT foi emitida em janeiro de 2026. As montadoras têm 90 dias para apresentar planos de correção e 180 dias para implementar as mudanças. A fiscalização começa em julho de 2026.

Como saber se meu carro chinês está seguro?

O consumidor pode verificar o histórico de recalls no site da Anfavea ou da montadora. A BYD e a Great Wall disponibilizam canais de atendimento para esclarecer dúvidas sobre recalls e inspeções.

A medida pode aumentar o preço dos carros chineses no Brasil?

Sim. Os novos testes e controles de qualidade podem elevar os custos de produção, que podem ser repassados ao consumidor. A BYD estima um aumento de 2% a 3% no preço final dos modelos importados.

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