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Cenário de crédito deve continuar volátil, diz analista

ResumoNord Investimentos alerta que o cenário de crédito deve permanecer volátil, apesar da captação líquida positiva registrada pelos fundos de investimento em agosto. A volatilidade decorre de fatores macroeconômicos e riscos de inadimplência. Fundos voltaram a atrair recursos, mas a instabilidade exige cautela dos investidores na alocação em ativos de crédito.

Fundos de investimento voltaram a registrar captação líquida positiva em agosto, mas analista da Nord Investimentos alerta: cenário de crédito deve continuar volátil. Veja os números.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 10 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Cenário de crédito deve continuar volátil, diz analista

Os fundos de investimento voltaram a registrar captação líquida positiva em agosto, com os cotistas aplicando R$ 33,9 bilhões, já descontados os resgates. Foi o primeiro mês de entrada de recursos depois de dois meses consecutivos de saídas. A renda fixa foi o destaque, captando R$ 47,2 bilhões após quatro meses seguidos de resgates.

Para Christopher Galvão, sócio e analista da Nord Investimentos, o movimento precisa ser analisado à luz da dinâmica dos últimos anos. Ele lembra que os fundos de crédito privado captaram de forma intensa em um ambiente de juros elevados e de fechamento dos spreads. "Os fundos começaram a render bem, bem acima do CDI, e com isso foi uma dinâmica que foi se retroalimentando", explicou.

Neste ano, porém, o cenário mudou. Segundo Galvão, os fundos de crédito passaram a render de forma mais conservadora, e meses de estresse, como março e abril, aumentaram a percepção de risco diante de casos envolvendo empresas mais alavancadas. "Os investidores que renderam muito bem nos últimos anos agora estão rendendo de uma forma mais conservadora", afirmou.

A retomada da captação em agosto não deve se consolidar como tendência estrutural, avalia o analista. "A gente tem uma visão um pouco cautelosa ainda para o cenário de crédito, que pode continuar apresentando certas volatilidades ao longo dos próximos trimestres em meio a esses juros muito elevados", disse.

Outro ponto foi a assimetria entre fundos de ações: os locais registraram resgates de quase R$ 12 bilhões, enquanto os de exterior captaram cerca de R$ 12,8 bilhões. Para Galvão, isso reflete busca por diversificação geográfica, não desistência do mercado doméstico. "Vejo como um movimento muito bom para o portfólio dos investidores, buscando essa diversificação geográfica, dolarizando parte da carteira", avaliou.

Sobre os FIDCs, que tiveram resgates de R$ 3,2 bilhões em agosto, o analista alertou: a baixa volatilidade nas cotas não significa ausência de risco. "FIDCs são fundos de créditos mais alternativos e ilíquidos. O fato de eles serem ilíquidos é o fato de que eles não são marcados a mercado, por isso que não tem aquela volatilidade na cota. Mas tem muito risco lá dentro dos FIDCs", afirmou. Para ele, o resgate foi pontual, mas o produto segue sob monitoramento.

Para quem investe em crédito privado, a orientação é acompanhar os próximos meses com cautela, lembrando que volatilidade pode persistir. A diversificação geográfica, como apontou o analista, pode ser uma estratégia para reduzir riscos da carteira.

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