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Canetas emagrecedoras desafiam indústria de alimentos, mostra estudo

ResumoO estudo da Scanntech Brasil revela que canetas emagrecedoras à base de GLP-1 reduzem o volume de vendas de alimentos em supermercados. Bebidas e perecíveis são as categorias mais impactadas pelo uso desses medicamentos. A pesquisa indica uma mudança no comportamento de consumo, com potencial de reestruturação no setor alimentício.

Estudo da Scanntech Brasil aponta que o uso de canetas emagrecedoras à base de GLP-1 pode reduzir o volume de vendas de alimentos em supermercados. Bebidas e perecíveis são os mais afetados.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 30 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Canetas emagrecedoras desafiam indústria de alimentos, mostra estudo

A indústria de alimentos enfrenta um novo desafio com o avanço das canetas emagrecedoras, medicamentos à base do composto GLP-1. Fabricantes de produtos industrializados têm testado estratégias para conquistar consumidores que perdem o apetite em razão do uso dessas substâncias.

Segundo estudo da Scanntech Brasil, o uso do GLP-1 pode reduzir em 0,49% o volume total de alimentos vendidos em supermercados. As bebidas devem registrar queda de 0,91%, os perecíveis embalados de 0,66% e a mercearia de 0,53%. Categorias como cervejas, petiscos, snacks, chocolates e biscoitos estão entre as mais impactadas.

Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech Brasil, avalia que o GLP-1 não criou a tendência de consumo saudável, mas a acelerou. "O GLP não é um provocador de uma onda de saudabilidade, ele é um catalisador", afirmou. A indústria já observava o crescimento de categorias ligadas à saúde, mas a entrada do GLP escalou esse movimento em velocidade inédita. Como resposta, fabricantes têm apostado em produtos proteicos, mudanças nas embalagens e reformulações voltadas à construção de massa muscular.

A pesquisa indica que 14% da população brasileira já usa ou já utilizou o medicamento. Considerando quem convive com esses usuários, o chamado "efeito halo" alcança 21% da população. O perfil do usuário é de um consumidor intenso, que consome mais que a média em categorias como cerveja e produtos indulgentes. Por isso, mesmo com percentual pequeno de usuários, o impacto no volume é expressivo.

Com a queda da patente da semaglutida e a chegada de versões genéricas, o cenário deve se transformar ainda mais. O estudo projeta que 37% dos 86% que ainda não usam o medicamento declararam alta probabilidade de uso se o preço cair. Somando aos 14% já usuários, o alcance pode chegar a 46% da população, um teto potencial sem prazo definido.

A especialista também destacou o mercado informal de GLP-1 no Brasil, com doses aplicadas em clínicas de estética e produtos vindos do Paraguai. Antes da queda da patente, 55% das doses eram informais e 45% formais. Depois, a proporção se inverteu, com as formais representando 17% a mais. "Parte dessa queda de patente é uma formalização do consumo", avaliou. Ela reforçou a importância de buscar apenas produtos aprovados pela Anvisa.

O cenário para os próximos meses depende da velocidade de adoção e da formalização do mercado. A indústria que se adaptar às novas demandas pode reduzir perdas, mas o impacto nas categorias tradicionais tende a persistir.

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