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O câncer mudou: como a oncologia avançou em 30 anos

ResumoA oncologia avançou significativamente em 30 anos, com tratamentos mais precisos e menos efeitos colaterais. A medicina personalizada, baseada em perfil genético tumoral, substituiu terapias genéricas. Imunoterapia e terapias-alvo aumentaram a eficácia contra diversos tipos de câncer. O paciente tornou-se centro do cuidado, com abordagens integradas que priorizam qualidade de vida e sobrevida.

Em três décadas, a oncologia passou por uma transformação profunda. Tratamentos mais precisos, menos efeitos colaterais e o paciente no centro do cuidado marcam a nova era contra o câncer.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 21 de julho de 2026 · 5 min de leitura
O câncer mudou: como a oncologia avançou em 30 anos

O câncer mudou. E a forma de tratá-lo também

Em pouco mais de três décadas, a oncologia passou por uma das maiores transformações da medicina. Tratamentos que antes exigiam longos períodos de internação deram lugar a terapias mais precisas, com menos efeitos colaterais e maior qualidade de vida para os pacientes. O avanço como a criação da imunoterapia, das terapias-alvo, dos testes genéticos, da medicina nuclear, além da tecnologia mudou não apenas a forma de tratar o câncer, mas também a maneira de enxergar quem enfrenta a doença.

A oncologia mudou nas últimas três décadas com o avanço da imunoterapia, das terapias-alvo, dos testes genéticos e da medicina nuclear. Hoje, os tratamentos são mais precisos, com menos efeitos colaterais e maior qualidade de vida. O paciente passou a ser o centro do cuidado, com uma equipe multidisciplinar que inclui oncologistas, psicólogos, nutricionistas e outros especialistas.

A transformação vista por quem vive a oncologia

A mudança é acompanhada de perto pela oncologista clínica e diretora administrativa da Oncomed, Cristina Guimarães Inocêncio. Com mais de 30 anos de dedicação à oncologia, ela testemunhou mudanças significativas no cuidado oncológico. "Quando comecei minha residência, o foco estava principalmente na doença. Hoje, além de tratar o tumor, buscamos compreender as características individuais de cada paciente para oferecer terapias mais assertivas e menos agressivas", afirma.

Da internação ao tratamento ambulatorial

Um dos avanços mais visíveis está na própria quimioterapia. A médica se recorda de uma época em que a internação fazia parte da rotina de muitos pacientes que iniciavam o tratamento. "Era comum vermos pacientes internados durante dias para receber quimioterapia. Além do tratamento em si, precisávamos lidar com efeitos colaterais mais intensos e com uma rotina que impactava profundamente a vida dessas pessoas".

Atualmente, em muitos casos, a medicação é administrada de forma ambulatorial, permitindo que o paciente retorne para casa no mesmo dia. Além da redução no tempo de permanência hospitalar, houve melhora significativa no controle dos efeitos colaterais, como náuseas, vômitos e fadiga, graças a medicamentos de suporte mais eficazes e a protocolos terapêuticos mais modernos.

Terapia-alvo e precisão: tratamento sob medida

A oncologia também avançou com o desenvolvimento das terapias-alvo. Diferentemente da quimioterapia tradicional, que pode atingir células saudáveis e doentes, esses medicamentos são projetados para agir em alterações moleculares específicas presentes nas células tumorais.

Para a oncologista, um dos avanços mais impressionantes foi a possibilidade de compreender melhor o comportamento de cada tumor. "Há 30 anos, pacientes com o mesmo tipo de câncer frequentemente recebiam tratamentos muito semelhantes. Hoje sabemos que dois tumores aparentemente iguais podem ter características moleculares completamente diferentes. Isso mudou a forma de conduzir os tratamentos."

O sistema imunológico como aliado

Outro marco importante foi a chegada da imunoterapia. Medicamentos conhecidos como bloqueadores de proteínas imunológicas ajudam o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas. A estratégia trouxe novas perspectivas principalmente para tumores que antes apresentavam poucas opções terapêuticas.

"Passamos a contar com tratamentos que ajudam o sistema imunológico a identificar aquilo que antes conseguia se esconder dele. Em muitos casos, isso ampliou as possibilidades terapêuticas e trouxe resultados que não víamos há alguns anos."

Testes genéticos e biomarcadores

Com o avanço dos biomarcadores e dos testes genéticos, tornou-se possível analisar características específicas do tumor para identificar quais terapias têm maior chance de sucesso para cada paciente. Além de orientar o tratamento, os testes de hereditariedade ajudam a detectar predisposições genéticas ao câncer, permitindo estratégias mais adequadas de prevenção, rastreamento e acompanhamento familiar.

"Esses exames permitem decisões mais individualizadas. Em vez de aplicar um mesmo tratamento para todos, conseguimos adaptar a terapia ao perfil biológico de cada paciente", explica a oncologista.

Para que essas informações sejam utilizadas de forma eficiente, a oncologia também passou por uma transformação tecnológica importante.

Tecnologia e dados em tempo real

A digitalização dos processos trouxe mais agilidade para o atendimento oncológico. Resultados de exames, imagens e informações clínicas podem ser compartilhados rapidamente entre equipes médicas, contribuindo para decisões mais rápidas e integradas. O uso de dados em tempo real também facilita o acompanhamento da evolução do paciente e a adaptação do tratamento sempre que necessário.

Esse fluxo integrado de informações reforçou uma mudança que, para a médica, é uma das mais significativas das últimas décadas: o fortalecimento do cuidado multidisciplinar.

A força do cuidado multidisciplinar

Hoje, o paciente oncológico conta com uma rede de profissionais que inclui oncologistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos, cuidados paliativos e outros especialistas.

A abordagem integrada busca tratar não apenas o tumor, mas também aspectos emocionais, nutricionais, físicos e sociais relacionados ao tratamento. Para a médica, a principal transformação da oncologia nas últimas décadas foi a mudança de perspectiva sobre o cuidado.

"O objetivo continua sendo combater o câncer, mas hoje entendemos que qualidade de vida, bem-estar e individualização do tratamento são fundamentais. O paciente deixou de ser apenas alguém que recebe uma terapia e passou a ser o centro de todo o processo de cuidado".

Perguntas Frequentes

O que é imunoterapia e como funciona?

A imunoterapia usa medicamentos bloqueadores de proteínas imunológicas para ajudar o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas.

Quais são as principais diferenças entre quimioterapia tradicional e terapia-alvo?

A quimioterapia tradicional pode atingir células saudáveis e doentes, enquanto a terapia-alvo age em alterações moleculares específicas das células tumorais.

Como os testes genéticos ajudam no tratamento do câncer?

Os testes genéticos analisam características específicas do tumor para identificar quais terapias têm maior chance de sucesso, além de detectar predisposições hereditárias.

O que mudou no cuidado com o paciente oncológico nas últimas décadas?

O paciente passou a ser o centro do cuidado, com uma equipe multidisciplinar e foco em qualidade de vida, bem-estar e individualização do tratamento.

O tratamento do câncer ainda exige internação?

Em muitos casos, a medicação é administrada de forma ambulatorial, permitindo que o paciente retorne para casa no mesmo dia, com melhor controle de efeitos colaterais.

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