# Câmara aprova uso de cocar e turbante em fotos de documentos - entenda

> A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza o uso de cocar e turbante em fotos de documentos oficiais. A medida atende reivindicações de povos indígenas e comunidades de terreiro. O texto segue para análise do Senado Federal.

*Portal Notícias MG · Serviços · 15 de julho de 2026 · Inácio Bicalho*

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza o uso de cocar e turbante em fotos de documentos oficiais. A medida atende a reivindicações de povos indígenas e comunidades de terreiro. Saiba o que muda, quem pode usar e os próximos passos no Senado.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza o uso de cocar e turbante em fotos de documentos oficiais. A proposta, de autoria do deputado Paulo Guedes (PT-MG), atende a uma demanda histórica de povos indígenas e comunidades de terreiro. Se virar lei, a identidade visual de cada um poderá ser mantida em RG, CNH e passaporte, sem que a segurança documental seja prejudicada.

A resposta direta para quem pergunta "Câmara aprova permissão de uso de cocar e turbante em fotos de documentos" é: sim, o texto foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora segue para análise do Senado. A medida vale para indígenas e para pessoas que usam turbante por motivo religioso, como as religiões de matriz africana. A foto deve permitir a identificação facial, mas o adereço pode aparecer, desde que não cubra o rosto.

## O que diz o projeto aprovado

O Projeto de Lei 6.202/2023, relatado pelo deputado João Campos (PSDB-GO), altera a Lei de Identificação Civil (Lei 7.116/83) para incluir a permissão explícita do uso de cocar e turbante. Na prática, a regra atual já permite adereços religiosos em fotos de documentos, mas cada estado aplicava a norma de forma diferente. O projeto unifica o entendimento e dá segurança jurídica para quem quer manter sua identidade cultural.

Segundo o relator, a medida "respeita a diversidade cultural e religiosa do Brasil, sem comprometer a segurança dos documentos". O texto foi aprovado por unanimidade na CCJ, o que indica baixa resistência política.

### Quem pode usar cocar e turbante?

A permissão vale para:

- Indígenas de qualquer etnia, que usam cocar como símbolo de sua identidade e hierarquia.
- Pessoas de religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda, que usam turbante (ou ojá) como parte da vestimenta ritual.
- Não há necessidade de comprovação prévia: a pessoa declara, no momento da foto, que o adereço faz parte de sua tradição cultural ou religiosa.

## O que muda na prática para o cidadão

Na cidade de Montes Claros, no Norte de Minas, a liderança indígena Xakriabá, Maria dos Santos, celebrou a notícia. "Eu sempre tive que tirar o cocar na hora do documento. Parecia que eu estava negando quem sou. Agora, pelo menos na lei, a gente pode mostrar a cara do nosso povo", disse ela, que há anos luta pelo direito à identidade visual.

O projeto não obriga os órgãos emissores a mudar o sistema de imediato. Cada estado terá um prazo de 180 dias para se adaptar. Enquanto isso, quem quiser usar o adereço pode apresentar o projeto aprovado como justificativa.

### Efeitos da seca no acesso a documentos

A seca prolongada no interior de Minas Gerais, que já dura três anos consecutivos, dificulta o acesso a serviços de identificação. Muitos indígenas e quilombolas precisam viajar dezenas de quilômetros para tirar a primeira via do RG. A aprovação do projeto, embora positiva, ainda não resolve o problema logístico. "A lei é boa, mas não adianta se o posto do Poupatempo fica a 80 km e a gente não tem carro", ponderou Maria.

## Tramitação no Senado e expectativa

O texto agora segue para o Senado, onde será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, se aprovado, pelo plenário. O governo federal sinalizou apoio à medida, mas ainda não há data para votação. A expectativa de lideranças indígenas e de terreiro é de que a lei seja sancionada ainda neste semestre.

Para o deputado Paulo Guedes, autor do projeto, a aprovação representa "um passo na direção de um Brasil que respeita suas raízes". Ele lembra que o país tem mais de 300 etnias indígenas e milhões de praticantes de religiões de matriz africana. "Não é justo que eles tenham que esconder sua fé ou sua cultura para ter um documento", afirmou.

### O que dizem os críticos

Há quem questione a segurança dos documentos com adereços. O deputado federal Marcelo Freitas (PL-MG) votou contra o projeto na CCJ, argumentando que "a foto deve ser neutra para garantir a identificação plena". O relator, no entanto, destacou que a tecnologia de reconhecimento facial já permite identificar a pessoa mesmo com cocar ou turbante, desde que o rosto esteja visível.

## Perguntas Frequentes

### O projeto já virou lei?

Não. Ele foi aprovado na Câmara e agora segue para o Senado. Depois, precisa de sanção presidencial.

### Posso usar cocar ou turbante no RG agora?

Ainda não. A regra atual varia por estado. O projeto, se aprovado, unifica a permissão em todo o país.

### Preciso comprovar que sou indígena ou de religião de matriz africana?

Não. A lei exige apenas a declaração verbal no momento da foto.

### O adereço pode cobrir o rosto?

Não. O cocar ou turbante deve permitir a identificação facial completa.

### A medida vale para passaporte?

Sim, se aprovada, valerá para todos os documentos oficiais com foto.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/camara-aprova-permissao-uso-cocar-turbante-fotos-documentos/
