# Caligrafia ilegível não é sinal de desleixo, diz estudo

> A caligrafia ilegível não indica desleixo nem raciocínio mais rápido, segundo pesquisa da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. O estudo monitorou a atividade cerebral de 36 estudantes e demonstrou que escrever à mão ativa mais regiões cerebrais do que digitar, mas não comprovou relação entre letra ilegível e maior velocidade de pensamento.

*Portal Notícias MG · Serviços · 16 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Pesquisa da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia monitorou a atividade cerebral de 36 estudantes e mostrou que escrever à mão ativa mais regiões do cérebro do que digitar. Mas o estudo não confirma que letra ilegível indique raciocínio mais rápido.

Letra difícil de entender costuma ser lida como desleixo. A psicologia oferece outra leitura: a caligrafia ilegível pode ter várias explicações, da velocidade da escrita à coordenação dos movimentos das mãos. A crença de que esses rabiscos revelam um cérebro mais rápido que a mão, porém, não é comprovada pela ciência.

Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology investigou o que acontece no cérebro durante a escrita manual e encontrou diferenças em relação à digitação. A pesquisa foi feita por pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, começou com 40 estudantes universitários e, após análise, considerou adequados os dados de 36 participantes. Todos eram destros, escolha feita para evitar que diferenças no uso das mãos interferissem nos resultados.

Durante o experimento, os participantes receberam palavras na tela e tiveram de escrevê-las à mão com caneta digital ou digitá-las no teclado. A atividade cerebral foi registrada por eletroencefalografia (EEG) com 256 sensores. A análise identificou conectividade mais ampla entre regiões cerebrais na escrita manual, sobretudo em áreas centrais e parietais, com maior atividade nas frequências theta e alfa, associadas à formação de memórias e à aprendizagem.

Uma das explicações está nos movimentos precisos exigidos para escrever. Ao formar uma letra, a pessoa coordena a mão enquanto recebe informações visuais e proprioceptivas, que ajudam o cérebro a perceber posição e movimento do corpo. Na digitação, o processo é diferente: as palavras saem do acionamento das teclas.

Aqui, a pesquisa não confirma a crença popular. O estudo não avaliou a legibilidade da caligrafia, apenas comparou a atividade cerebral entre escrita manual e digitação. Por isso, os resultados não permitem afirmar que alguém com letra difícil tenha raciocínio mais rápido.

A velocidade da escrita influencia a aparência das letras: anotar rápido torna os movimentos menos precisos. Coordenação motora fina, hábitos e a forma como cada pessoa aprendeu a escrever também interferem na caligrafia. Uma letra ilegível não pode ser usada como indicador de inteligência ou velocidade de pensamento. A ideia de que alguém pensa mais rápido do que escreve pode descrever uma situação cotidiana, mas não é conclusão comprovada pelo estudo.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/caligrafia-ilegivel-nao-sinal-desleixo-mas-um-indicio-raciocinio-mais-veloz-capa/
