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Brincar com a comida: estudo mostra como a tática ajuda seu filho a comer bem

ResumoEstudo publicado na revista Appetite demonstra que brincar com a comida, incluindo tocar, cheirar e explorar alimentos com as mãos, aumenta a aceitação de novos alimentos por crianças de 3 a 4 anos. Atividades sensoriais com frutas e vegetais melhoram a disposição infantil para experimentar e consumir esses itens.

Um estudo publicado na revista Appetite confirma que explorar a comida com as mãos, cheirar e até fazer bagunça ajuda crianças a aceitar novos alimentos. A pesquisa analisou crianças de 3 a 4 anos e descobriu que atividades sensoriais com frutas e vegetais aumentam a disposição p

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 27 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Brincar com a comida: estudo mostra como a tática ajuda seu filho a comer bem

Brincar com a comida: estudo revela como a tática ajuda seu filho a comer bem

Brincar com a comida, segundo estudo da revista Appetite, ajuda crianças a comerem bem ao reduzir a neofobia alimentar. A pesquisa mostrou que atividades sensoriais com frutas e vegetais aumentam a disposição para experimentar novos alimentos. A nutricionista Carolina Donan recomenda montar desenhos com frutas no prato e deixar a criança participar do preparo das receitas.

Colocar as mãos na massa, cheirar e até fazer um pouco de bagunça pode ser uma ferramenta para aproximar crianças de hábitos alimentares saudáveis. Um estudo publicado na revista científica "Appetite" confirma que essa exploração sensorial com a comida ajuda na aceitação de novos alimentos.

A pesquisa analisou o comportamento de crianças entre 3 e 4 anos e descobriu que atividades sensoriais com frutas e vegetais aumentam a disposição delas em experimentar esses alimentos mais tarde. O interesse despertado pelo toque e cheiro se estendeu até para vegetais que não faziam parte da brincadeira.

Por que brincar com a comida funciona?

Isso ocorre porque, para a criança, o conhecimento precede a alimentação. Olhar cores, sentir formatos e explorar texturas ajuda a quebrar a barreira da neofobia alimentar, a fase comum na infância em que tudo o que é novo no prato gera resistência.

Carolina Donan, nutricionista da Papapá, marca especializada em alimentação infantil saudável, explica que a pressão na hora da refeição costuma ter o efeito contrário. "Muitas vezes os adultos focam apenas no momento exato em que a criança está com a colher na boca, mas a construção dessa relação começa muito antes da primeira mordida", afirma.

O cenário da alimentação infantil no Brasil

Essa mudança de comportamento é urgente. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mostram que alimentos ultraprocessados já ocupam quase um quarto da rotina alimentar de crianças de até 5 anos. Na faixa etária dos 2 aos 5 anos, o número sobe para 30,4%.

O dado reforça a necessidade de estratégias que aproximem as crianças de alimentos in natura, como frutas e vegetais, desde cedo.

Como aplicar a tática em casa

Segundo a especialista, quando a criança tem liberdade para observar, tocar e cheirar de forma lúdica, a estranheza diante do novo diminui. A aproximação pode ser feita de forma simples e afetiva, como montar desenhos com frutas no prato ou deixar o filho participar de pequenas etapas no preparo das receitas.

O objetivo não é o desperdício, mas a conquista da confiança e da curiosidade. "Nutrição infantil vai muito além de vitaminas e minerais. É sobre a experiência, o aprendizado e a construção de memórias felizes ao redor da comida. Quanto mais positiva for essa interação desde cedo, mais duradoura e saudável será a relação deles com o prato no futuro", conclui Carolina.

Dados que reforçam a importância do brincar

A pesquisa da Appetite mostra que o efeito do brincar vai além dos alimentos usados na brincadeira. O interesse despertado pelo toque e cheiro se estendeu até para vegetais que não faziam parte da atividade, o que sugere que a tática pode ampliar o repertório alimentar da criança de forma mais ampla.

Para pais que enfrentam resistência na hora das refeições, a recomendação é começar com pequenas mudanças: oferecer frutas cortadas em formatos diferentes, permitir que a criança toque nos vegetais durante o preparo ou criar jogos de adivinhação com cheiros e texturas.

Perguntas Frequentes

Brincar com a comida não incentiva o desperdício?

O objetivo não é o desperdício, mas a conquista da confiança e da curiosidade. A nutricionista Carolina Donan recomenda usar pequenas porções para a brincadeira e reaproveitar os alimentos depois.

A partir de que idade posso deixar meu filho brincar com a comida?

O estudo analisou crianças entre 3 e 4 anos, mas a especialista sugere que a abordagem pode ser adaptada para bebês a partir dos 6 meses, sempre com supervisão.

Quanto tempo leva para ver resultados?

A pesquisa mostrou que o interesse despertado pelo toque e cheiro se estendeu até para vegetais que não faziam parte da brincadeira, indicando que os efeitos podem ser rápidos, mas variam de criança para criança.

Brincar com a comida funciona para todas as crianças?

A pesquisa da Appetite indica que a abordagem sensorial ajuda a quebrar a barreira da neofobia alimentar, mas cada criança tem seu ritmo. A consistência e a paciência são fundamentais.

Como lidar com a bagunça durante a brincadeira?

A especialista recomenda preparar o ambiente com plásticos ou toalhas fáceis de limpar e envolver a criança na organização após a atividade, o que também ensina responsabilidade.

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