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Brasil supera 6 mil empresas em recuperação judicial; veja efeitos

ResumoBrasil superou 6 mil empresas em recuperação judicial em 2026, com alta de 22% em 12 meses, segundo levantamentos da RGF e Serasa. Grandes grupos acumulam dívidas bilionárias, pressionando credores e o sistema financeiro. O aumento reflete endividamento corporativo elevado e cenário macroeconômico restritivo, com efeitos sobre reestruturações, empregos e crédito.

Brasil supera 6 mil empresas em recuperação judicial em 2026, com grandes grupos acumulando dívidas bilionárias. Levantamentos da RGF e Serasa mostram alta de 22% em 12 meses. Veja os números e o que esperar.

Geraldo Assunção
Geraldo Assunção Repórter de Política Estadual · 27 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Brasil supera 6 mil empresas em recuperação judicial; veja efeitos

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil permaneceu em nível elevado em 2026, com a lista de grandes companhias endividadas incluindo varejistas, indústrias, grupos de energia, agronegócio e saúde. No fim de junho, o Monitor RGF-BidDoc contabilizava 6.382 empresas no recorte estrito, crescimento de 6,5% no primeiro semestre e de 22% em 12 meses. Na base completa, eram 8.080 CNPJs vinculados a recuperações judiciais, enquanto o estoque de empresas classificadas como falidas chegou a 2.808.

Os números, porém, não podem ser somados. A base restrita da RGF considera um conjunto específico de empresas ativas e exclui categorias; a completa acompanha um universo maior de CNPJs. Por isso, os 6.382 casos e os 8.080 CNPJs representam metodologias distintas, não indicadores acumuláveis.

Outro levantamento, da Serasa Experian, mostra a quantidade de novos processos. Em 2025, foram 977 pedidos de recuperação judicial, maior volume desde 2016 e 5,5% acima de 2024. Esses processos alcançaram 2.466 CNPJs, número 13% maior que no ano anterior e o maior da série histórica da metodologia atualizada. Já os pedidos de falência caíram: 698 CNPJs atingidos em 2025, 19% menos que em 2024.

A recuperação judicial permite que empresas apresentem plano de reorganização de dívidas sob supervisão da Justiça, conforme a Lei nº 11.101/2005. A extrajudicial usa negociação com grupos de credores e homologação judicial. A falência é procedimento de liquidação do patrimônio.

Entre os maiores casos recentes, a Raízen teve plano de recuperação extrajudicial homologado em julho de 2026, envolvendo cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras. A Braskem protocolou pedido para reestruturar US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões). A Americanas, em recuperação desde janeiro de 2023, tinha aproximadamente R$ 40 bilhões em dívidas no início do processo e pediu encerramento em março de 2026.

No varejo, o Grupo Casas Bahia protocolou em agosto pedido envolvendo R$ 17,3 bilhões em créditos sujeitos ao processo, com passivo total informado de cerca de R$ 28 bilhões. A Oi teve falência confirmada em agosto de 2026, com passivo de aproximadamente R$ 44 bilhões. O Grupo Dolly enfrenta pedido de falência por passivo tributário estimado em R$ 15,746 bilhões, o que não significa decretação.

Para quem acompanha o mercado, o efeito prático é a reestruturação de cadeias de fornecimento e o risco de crédito mais alto em setores expostos. A diversidade de setores indica que o problema não está restrito a um segmento. A tendência, segundo os dados, é de que novos pedidos continuem em patamar elevado, com desfechos variando entre encerramento, como no caso da Samarco, e falência, como no da Oi. recuperação judicial e crédito impactos da falência para credores

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