Brasil cria 58,5 mil empregos em julho, queda de 56,3%
Brasil criou 58,5 mil empregos formais em julho, com queda de 56,3% ante julho de 2025. Foi o pior resultado para o mês desde 2020. Salário médio de admissão subiu para R$ 2.419,23.
O Brasil criou 58,5 mil empregos formais em julho de 2026, informou nesta sexta-feira (28) o Ministério do Trabalho e do Emprego. O resultado representa recuo de 56,3% na comparação com julho de 2025, quando foram abertas cerca de 133,9 mil vagas com carteira assinada. Foi o pior desempenho para meses de julho desde 2020, em seis anos.
Segundo o governo federal, foram registradas em julho 2,26 milhões de contratações e 2,2 milhões de demissões. O saldo positivo de 58,5 mil vagas, porém, fica bem abaixo da média recente para o mês. Em 2024, por exemplo, foram criados 191,8 mil postos; em 2023, 142,4 mil; em 2022, 225,4 mil.
A comparação com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada porque o governo mudou a metodologia do levantamento. Em 2020, no auge da pandemia, o mês de julho fechou com 108,5 mil vagas fechadas.
No acumulado de janeiro a julho, o país criou 972,2 mil empregos formais, queda de 21% ante o mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,22 milhão de vagas. Foi o pior resultado para os sete primeiros meses do ano desde 2020, quando foram fechadas 1,38 milhão de vagas em meio à pandemia.
Apesar do ritmo mais fraco, o estoque total de empregos com carteira assinada segue em alta. Ao fim de julho, o Brasil tinha 48,08 milhões de vínculos formais, ante 48,02 milhões em junho e 47,2 milhões em julho de 2025.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram criação de vagas em quatro dos cinco setores da economia e em quatro das cinco regiões: Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.
O salário médio real de admissão subiu para R$ 2.419,23 em julho, ante R$ 2.404,10 em junho, já descontada a inflação. Na comparação com julho de 2025 (R$ 2.370,00), também houve alta.
O Caged considera apenas trabalhadores com carteira assinada, sem incluir informais. Por isso, os números não são comparáveis com a taxa de desemprego do IBGE, que foi de 5,3% no trimestre encerrado em julho, a menor da série histórica iniciada em 2012.
Para o trabalhador, o cenário indica mercado mais seletivo: o salário médio sobe, mas a criação de vagas desacelera. A leitura da série histórica, e não do mês isolado, é o que aponta a tendência real.