Brasil apresenta modelo agrícola para cooperação com Sudeste Asiático
O Brasil apresentou seu modelo de desenvolvimento agropecuário à ASEAN em visita inédita do secretário-geral à Embrapa. A agenda de cooperação pode ampliar exportações e fortalecer a segurança alimentar.
O Brasil apresentou seu modelo de desenvolvimento agropecuário à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em uma visita inédita do secretário-geral do bloco, Kao Kim Hourn, à Embrapa. A agenda, realizada entre 18 e 21 de agosto, incluiu compromissos em Brasília e São Paulo e marcou a primeira passagem de um secretário-geral da ASEAN pelo país.
A comitiva conheceu tecnologias que transformaram áreas de baixa aptidão agrícola, como o Cerrado, em regiões produtoras de alimentos. Sistemas sustentáveis e técnicas adaptadas ao clima tropical estiveram entre os destaques, com foco em desafios como mudanças climáticas e aumento de produtividade.
O Brasil se tornou Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN em 2022. O intercâmbio bilateral saltou de cerca de US$ 3 bilhões em 2003 para aproximadamente US$ 38 bilhões em 2025. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o comércio com o Sudeste Asiático pode superar as trocas com parceiros tradicionais, como Estados Unidos e União Europeia.
Países como Indonésia, Vietnã, Malásia, Tailândia e Singapura já são destinos relevantes para o agronegócio brasileiro. A ASEAN reúne 11 países e representa um mercado superior a 700 milhões de habitantes. No balanço divulgado após a visita, o bloco colocou agricultura e segurança alimentar entre as áreas prioritárias para aprofundar a relação.
Além da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, Kao Kim Hourn se reuniu com representantes do governo, da ApexBrasil, da indústria de bioenergia e da Fiesp em São Paulo. A viagem terminou em 21 de agosto, e a ASEAN afirmou que a passagem abriu espaço para novas formas de cooperação prática, com compromisso de aprofundar a parceria até 2027.
Para o agro brasileiro, a aproximação coloca a tecnologia tropical como instrumento de relacionamento com uma região que é grande consumidora de alimentos e também importante concorrente em commodities. A diversificação das exportações segue como prioridade de Brasília, que busca reduzir a concentração das vendas externas.
O próximo passo será transformar a agenda em acordos concretos, com potencial de beneficiar produtores e exportadores brasileiros nos próximos anos.