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BofA reduz previsão da Selic a 13,25% no fim do ano após IPCA

ResumoO Bank of America (BofA) revisou a projeção da taxa Selic para 13,25% ao final de 2026, após o IPCA registrar queda de 0,32% em agosto. O banco passou a estimar cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões do Copom até o fim de 2026, projeção abaixo da mediana do boletim Focus.

Após o IPCA cair 0,32% em agosto, o BofA revisou a projeção da Selic e passou a ver cortes de 0,25 ponto em todas as reuniões do Copom até o fim de 2026. A taxa fecharia o ano em 13,25%, abaixo da mediana do Focus.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
BofA reduz previsão da Selic a 13,25% no fim do ano após IPCA

O Bank of America (BofA) revisou para baixo a previsão da Selic no fim de 2026. Em relatório desta sexta-feira (11), o banco passou a projetar cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões do Copom até dezembro, o que levaria a taxa a encerrar o ano em 13,25%. Antes, a casa esperava 13,75%.

A revisão veio depois de uma série de dados favoráveis ao trabalho do Banco Central. O IPCA caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, segundo o IBGE. A Selic meta segue em 14,00% ao ano desde antes da reunião de setembro.

O que muda pra quem vive do crédito

A leitura do BofA é que o corte de 0,25 ponto na próxima quarta-feira (16), que levaria a Selic a 13,75%, é a aposta fácil do mercado. A dúvida real está nas duas últimas reuniões do ano. O chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do banco, David Beker, escreve que a posição é "firmemente mais moderada do que o mercado".

Na prática, juro básico menor tende a chegar ao produtor rural e ao consumidor com atraso. Quem toma custeio, compra a prazo na cooperativa ou paga cheque especial sente primeiro no bolso. A economia brasileira perdeu fôlego no 2º trimestre de 2026, com avanço de 0,5% ante os três meses anteriores, e o consumo das famílias retraiu 0,4% no período. A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional subiu para 4,9% em julho, a maior da série iniciada em 2011.

Os três motivos do BofA

O banco lista três razões para o BC não sinalizar pausa no afrouxamento. A primeira: a inflação subjacente está melhorando e a projeção para o horizonte relevante parou de piorar. A segunda: o crescimento desacelerou e o aumento da inadimplência pressiona o crédito, agravando a desinflação em curso. A terceira, e mais importante segundo Beker, é que a política monetária segue muito restritiva mesmo após novos cortes de 25 pontos-base.

"Há bastante espaço para cortes antes que a política deixe de ser restritiva, portanto, vemos poucos motivos para o BCB fechar as portas agora", escreve o economista, destacando que o comunicado do Copom deve vir mais suave.

No interior de Minas, quem planta e cria já convive com crédito mais caro e prazo mais curto. Se a projeção do BofA se confirmar, o alívio chega devagar, mas chega. É o que a comunidade espera: juro que caia sem susto, para o custeio da próxima safra caber no orçamento. Para acompanhar o efeito no dia a dia, vale olhar também como a Selic afeta o crédito rural.

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