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Argentina bate recorde de lácteos; Brasil é destino

ResumoArgentina exportou 1,84 bilhão de litros de leite entre janeiro e julho de 2026, alta de 20% sobre 2025, com o Brasil entre os principais destinos. O setor lácteo brasileiro questiona o dumping reconhecido pela Camex nas importações argentinas.

Argentina embarcou 1,84 bilhão de litros de leite entre janeiro e julho de 2026, alta de 20% sobre 2025. Brasil está entre os principais destinos, mas o setor local questiona dumping reconhecido pela Camex.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Argentina bate recorde de lácteos; Brasil é destino

A Argentina embarcou ao exterior o equivalente a 1,84 bilhão de litros de leite entre janeiro e julho de 2026, recorde histórico para o período e alta de aproximadamente 20% sobre os mesmos sete meses de 2025. O Brasil aparece entre os principais destinos dessas exportações.

O dado resume uma mudança de patamar: de cada dez litros produzidos na Argentina, três seguem para o mercado externo. No caso brasileiro, as compras de leite em pó cresceram 66% entre 2023 e 2025, com mais de 2 bilhões de litros importados só no ano passado.

O que mudou no comércio entre os dois países

O avanço argentino não vem de um salto isolado. Vem de uma combinação que o setor lácteo brasileiro acompanha há anos: isenções e benefícios tributários que fazem o produto chegar ao Brasil com preços até 60% abaixo do valor de mercado.

Em maio, a Câmara de Comércio Exterior do Brasil reconheceu oficialmente a prática de dumping na aquisição de leite proveniente da Argentina e também do Uruguai. Apesar do reconhecimento formal, o governo federal decidiu ainda não aplicar tarifas antidumping.

Por que a decisão trava a cadeia

A escolha mantém de pé uma tensão entre dois lados com interesses opostos. De um lado, importadores que se beneficiam dos preços reduzidos. Do outro, produtores locais que enfrentam dificuldade para competir com os preços praticados pelos vizinhos do Mercosul.

O reconhecimento do dumping sem tarifa não encerra o debate, apenas o empurra adiante. importação de lácteos do Mercosul Para quem acompanha a cadeia, a pergunta que sobra é o que muda no bolso do consumidor e na margem do produtor se a tarifa sair, e o que muda se não sair.

O que observar daqui em diante

O recorde argentino e o reconhecimento do dumping pela Camex colocam o Brasil numa posição dupla: maior comprador e maior interessado em proteger a produção interna. O setor lácteo brasileiro questiona essas práticas há anos, apontando impactos negativos sobre a produção doméstica.

A decisão sobre tarifas antidumping segue pendente. setor lácteo brasileiro e concorrência Enquanto isso, o fluxo de leite em pó argentino continua entrando, e a conta entre preço baixo na prateleira e pressão no campo segue sem resposta fechada.

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