Ansiedade: especialistas explicam causas e fatores ao Dr. Kalil
A ansiedade entre crianças e adolescentes preocupa especialistas, que apontam uma combinação de fatores individuais, históricos e ambientais como origem do problema. Em conversa com o Dr. Roberto Kalil no CNN Sinais Vitais, a neuropsicóloga Maria Alice Fontes e Márcio Bernik, chefe do ambulatório de ansiedade do HCFMUSP, detalharam as causas e os elementos que tornam os mais jovens especialmente vulneráveis.
Segundo Maria Alice Fontes, a ansiedade surge da convergência de três dimensões: a vulnerabilidade individual, a história de vida e o ambiente. "Quando juntam esses três fatores, você pode ter realmente uma incidência maior de ansiedade", afirmou. Ela citou ainda questões estruturais, como desigualdade social, problemas de gênero e pobreza, que contribuem para o desencadeamento do transtorno.
Márcio Bernik ressaltou que os jovens apresentam índices mais elevados de ansiedade que as gerações anteriores. Ele relaciona parte do fenômeno à crescente obsessão com a saúde mental, "que faz com que as pessoas se virem muito para dentro e se observem mais", aumentando a detecção de problemas. Outro fator é o excesso de exposição a notícias: "Eu hoje, no meu celular, eu sei em segundos que está tendo uma crise na Bolsa de Tóquio, não que isso seja relevante na minha vida", exemplificou.
As redes sociais também foram apontadas como fator de risco, especialmente entre meninas. Bernik explicou que há "uma certa agressividade encoberta entre elas, mesmo entre amigas", o que vulnerabiliza quem já tem predisposição, sem ser a causa direta dos transtornos.
Sobre a cafeína, o especialista adotou postura cautelosa: "A cafeína, eu acho que existe uma reação dose dependente. Tem pessoas mais vulneráveis", disse, descartando que seja um vilão universal. Ele reforçou que fatores externos agravam quadros em quem já tem predisposição, em vez de serem as causas primárias.
Para famílias, o alerta é observar mudanças de comportamento e buscar acompanhamento profissional quando necessário. A informação checada e o acolhimento são os primeiros passos para lidar com a ansiedade na infância e adolescência.