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Análise: Venezuela não resolve problema de petróleo dos EUA

O acordo incomum do presidente Donald Trump sobre o petróleo da Venezuela está ficando mais claro, mas o plano de usar a receita para reabastecer as reservas estratégicas dos EUA segue intrigante. Trump afirmou que a nova participação majoritária em 17 campos venezuelanos garante acesso a 65 bilhões de barris de reservas comprovadas, mais que o dobro das reservas americanas. Um dos objetivos é completar a capacidade da SPR, que está no nível mais baixo desde novembro de 1982.

O petróleo venezuelano produzido pela nova parceria público-privada seria usado para reabastecer a SPR, após os EUA liberarem 130 milhões dos 172 milhões de barris autorizados durante o conflito com o Irã. Contudo, especialistas apontam que essa não é uma solução de curto prazo.

Na segunda-feira (1º), a Casa Branca classificou o acordo como o "maior negócio de petróleo da história mundial". O Escritório de Capital Estratégico do Pentágono adquirirá até 35% de participação na NABEP, segunda maior produtora privada da Venezuela. A NABEP planeja investir US$ 100 bilhões em nova infraestrutura. A empresa é controlada pela família de Alejandro Betancourt López, empresário investigado na Espanha, sem acusação formal.

O Departamento de Estado poderá comprar 20% do petróleo pelo custo de produção e tem direito de preferência no restante, totalizando 55% da joint venture. A longo prazo, a parceria pode ajudar refinarias do Golfo, que precisam do petróleo pesado venezuelano para asfalto e combustíveis. Porém, esse petróleo não resolve o problema da SPR.

O petróleo venezuelano não atende aos requisitos de armazenamento da reserva estratégica. O custo de adaptar as cavernas superaria os benefícios, segundo revisão de 2016 do Departamento de Energia. Mesmo misturado com petróleo mais leve, causaria problemas, disse Matt Smith, da Kpler.

A Venezuela aumentou exportações para 1,2 milhão de barris por dia, segundo Luisa Palacios, ex-presidente da Citgo. Ainda assim, o volume é bem inferior aos 3,5 milhões de barris de antes do governo socialista. A infraestrutura deteriorada exige anos de investimento.

A Venezuela tem 303 bilhões de barris em reservas, as maiores do mundo, mas reserva não é produção. Helima Croft, da RBC, afirmou que não é solução rápida para a SPR. Trump admitiu que a parceria não reduzirá preços antes das eleições de novembro. "Falam em dois anos, três anos", disse.

Também não está claro se Trump pode agir sozinho. O Congresso precisa aprovar compras para a SPR. Uma alternativa seria usar trocas, como na liberação histórica deste ano. Analistas como Andy Lipow sugerem vender o petróleo venezuelano a refinarias e comprar petróleo leve para a reserva, contornando o Congresso.

Ainda assim, não é uma solução rápida. Com os níveis da SPR perto dos mínimos operacionais, os EUA podem precisar de um plano mais ágil, especialmente diante de um furacão ou outra crise.

Ronaldo Pimenta
Repórter de Esporte Mineiro
Torcedor convertido em repórter, cobre o futebol de Minas com paixão controlada e imparcialidade entre rivais.
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