Análise: Trump retoma guerra comercial dos EUA contra aliados
Trump retoma a guerra comercial com tarifas de 50% sobre US$ 20 bi em produtos canadenses e ameaça punir quem negociar com o Irã. Veja o impacto para o Brasil e o mundo.
O presidente americano, Donald Trump, voltou a usar tarifas como principal instrumento de pressão em várias frentes, iniciando uma nova guerra comercial com o Canadá, um de seus aliados mais tradicionais, e ameaçando punir países que mantiverem relações comerciais com o Irã.
No último fim de semana, passaram a valer tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses. Trump também ameaçou taxas de 50% sobre o setor automotivo. Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, prometeu tarifas retaliatórias a partir de 8 de setembro.
Autoridades canadenses explicam que as taxas foram planejadas com as eleições do Congresso americano na mira, para impactar produtos fabricados em estados-chave, onde o partido de Trump corre risco de perder assentos. A Casa Branca publicou que "sem os Estados Unidos, o Canadá não poderia sobreviver", enquanto Ottawa defende as medidas como proteção da soberania nacional.
Para Lucas Ferraz, coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV, a postura confrontativa do Canadá é mais prejudicial ao próprio país. "Retaliar os Estados Unidos é muito mais prejudicial para o Canadá do que para os Estados Unidos", afirmou. Ele citou a assimetria econômica: o Canadá tem economia de cerca de US$ 2 trilhões, contra US$ 20 trilhões da China, e defendeu a negociação, como fez o México.
O analista de Internacional da CNN, Lourival Sant'Anna, trouxe outra perspectiva: a ingerência americana foi tão intensa que inviabilizou outra resposta que não o confronto. Trump chegou a exigir arbitragem sobre tarifas canadenses do aço e pressionou questões culturais, como o subsídio ao cinema em língua francesa. "O nível de ingerência foi tão brutal que não poderia haver outra reação", disse.
Na crise com o Irã, a Casa Branca prometeu punir países que mantiverem comércio com os iranianos, provocando reação da China, principal compradora do petróleo iraniano. Pequim afirmou que pressões econômicas só intensificam tensões. Sant'Anna alertou que a China já suspendeu licenças de minerais críticos, o que pararia a indústria americana, incluindo a bélica.
O conflito comercial deve escalar nas próximas semanas, com desdobramentos diretos para a economia global e para o bolso do consumidor brasileiro, que pode sentir reflexos nos preços de importados e no câmbio.