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Mudança no hábito do consumidor afetou Habib's

ResumoO Grupo Gennius, controlador do Habib's, obteve aprovação de recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões. A expansão financiada por crédito barato e a mudança no hábito do consumidor, que reduziu a demanda por refeições rápidas de baixo custo, são apontadas como causas centrais da crise financeira da rede.

O Grupo Gennius, dono do Habib's, teve recuperação judicial aprovada com dívida de R$ 265 milhões. Analista aponta expansão financiada por crédito barato e mudança no consumo como causas.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 27 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Mudança no hábito do consumidor afetou Habib's

O Grupo Gennius, holding das marcas Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, teve a recuperação judicial aprovada pelo Judiciário, com dívida total de R$ 265 milhões, conforme nota divulgada na quarta-feira (26). O processo envolve 174 empresas do grupo. Para o analista de Economia da CNN Victor Irajá, a crise não tem causa única, mas é resultado de um acúmulo de dificuldades econômicas e de um modelo de negócios pressionado por mudanças no comportamento do consumidor.

A trajetória recente explica o cenário. Em 2018, o Habib's anunciou plano para chegar a 1.213 lojas em 2022. No período, investiu R$ 12 milhões na reforma de seis churrascarias da Tendall Grill e fechou parceria com o iFood. Com a pandemia, em vez de desacelerar, o grupo continuou expandindo, criando marcas exclusivas do iFood, como a Mita, de marmitas, e a Cabulosa, pizzaria ligada ao Habib's.

Em 2023, lançou franquias abaixo de R$ 1 milhão para ocupar praças de alimentação, com projeção de faturamento de quase R$ 3 bilhões. Também verticalizou a produção: montou fábrica de laticínios, dark kitchens, central própria e até comprou fazenda para insumos. Tudo financiado com crédito bancário a juros baixos, cerca de 2% ao ano na pandemia. Com a alta das taxas, a receita não voltou no ritmo esperado e rolar a dívida ficou caro. "Rolar essa dívida custa muito caro nesse cenário com juros muito significativos e com base no modelo de negócio que é construído exatamente sobre um preço mais baixo com muito volume", explicou Irajá.

O grupo chegou a pedir à Justiça, duas vezes, a liberação das travas bancárias, mecanismo que retém o dinheiro das vendas como garantia dos empréstimos. Na prática, o caixa não recebia o valor das vendas. Além disso, a pandemia esvaziou os centros urbanos e o home office reduziu o fluxo no almoço, público tradicional das lojas de rua. Dados da CNC indicam que 82% da população está endividada, afetando as classes C e D, público-alvo da rede. O delivery cresceu, mas o ticket médio é mais alto, o que não favorece o modelo. "Crédito caro impacta a empresa e o consumidor dessa própria empresa", resumiu Irajá. Com a recuperação aprovada, o grupo tem 60 dias para negociar com credores.

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