# Juros dos EUA podem ofuscar brilho de eleições no Brasil

> Juros dos EUA e tensões no Oriente Médio podem ofuscar o impacto das eleições brasileiras sobre o Ibovespa, segundo analistas. O índice tocou 188 mil pontos com pesquisas eleitorais mais competitivas, mas o trade eleitoral doméstico tende a perder força diante da política monetária americana e dos riscos geopolíticos globais.

*Portal Notícias MG · Serviços · 14 de setembro de 2026 · Geraldo Assunção*

Ibovespa tocou 188 mil pontos na semana com pesquisas eleitorais mais competitivas, mas analista alerta que juros americanos e conflito no Oriente Médio podem se sobrepor ao trade eleitoral doméstico.

O Ibovespa retornou à marca dos 188 mil pontos em alguns pregões da semana passada, impulsionado por pesquisas eleitorais que apontam um pleito de outubro mais competitivo que o previsto. O índice fechou em queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, mas acumulou alta de cerca de 1% no período. A analista Lucinda Pinto, no entanto, faz uma ressalva: a Bolsa "não está exatamente operando com otimismo", mas em "processo de reprecificação de cenário e de riscos".

## O que mudou no cenário

Segundo Lucinda, o mercado trabalha com probabilidades e coloca nos preços os cenários mais prováveis. A cada nova pesquisa que reduz a diferença de intenção de voto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno, o índice avança. "O mercado está entendendo que cresceu muito, segundo as pesquisas, a chance de haver uma vitória da oposição nesse momento e a probabilidade de que essa oposição traga uma nova política fiscal", explicou.

A analista destaca que ninguém precifica transformação fiscal radical, mas a possibilidade de gestão "um pouco mais responsável". Isso impacta diretamente os juros futuros e a Selic, que poderia ser reduzida ao longo do tempo. "A taxa de juros hoje é a variável mais importante, que tem impactado mais diretamente o desempenho das empresas e, portanto, das ações", ressaltou.

## Incertezas que pesam

Com cerca de três semanas para o primeiro turno, Lucinda lembra que pesquisas já mostraram cenários que não se confirmaram nas urnas. E pontua: "ninguém sabe de verdade qual será a política fiscal da oposição". Sem informações concretas, projeções sobre a dinâmica da dívida são praticamente impossíveis.

O fator externo que mais preocupa é o comportamento dos juros nos Estados Unidos. Para a analista, essa variável "tem poder, tem força para alterar a dinâmica dos mercados" e pode se sobrepor ao trade eleitoral doméstico. Todos os olhares estavam voltados para a divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor americano. "Se de fato houver um aumento de taxa de juros nos Estados Unidos, tudo muda", alertou.

Ela questiona se, nesse cenário, o Brasil conseguiria continuar cortando a Selic, lembrando que parte da recuperação recente das small caps está associada à expectativa de novos cortes.

O conflito no Oriente Médio também foi destacado. A tomada de uma cidade no Iêmen próxima ao Estreito de Bab el-Mandeb pelos rebeldes Houthis, apoiados pelo Irã, acendeu alertas sobre a rota marítima que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Com o petróleo já na casa dos 107 dólares, o cenário inflacionário nos Estados Unidos pode se agravar.

No Brasil, a Petrobras adicionou ruído ao recuar de um reajuste nos preços dos combustíveis e, na sequência, anunciar desconto de 19 centavos por litro de gasolina. "Ela recuou dessa decisão, o que trouxe uma questão importante em termos de governança", avaliou Lucinda. Para ela, o episódio ameaça o efeito positivo que o petróleo mais alto poderia ter sobre a companhia, fundamental para sustentar o Ibovespa nos últimos meses.

No cenário global, a Europa elevou seus juros, com pressão crescente sobre o Banco da Inglaterra para seguir o mesmo caminho, em razão da alta nos preços de energia e da inflação distante das metas do Banco Central Europeu. "O custo do dinheiro no mundo está ficando mais alto", resumiu Lucinda, reforçando que competir nesse ambiente se torna cada vez mais complicado para os mercados emergentes.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/analise-juros-eua-podem-ofuscar-brilho-eleicoes-brasil/
