Alckmin: Reciprocidade virá na hora certa e apoiaremos afetados por tarifa
Em declaração oficial, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a reciprocidade a tarifas internacionais será aplicada 'na hora certa' e que o governo federal já articula medidas de apoio aos setores afetados pelas sobretaxas.
Alckmin: Reciprocidade virá na hora certa e apoiaremos afetados por tarifa
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, em coletiva à imprensa nesta quarta-feira (2), que o governo federal aplicará reciprocidade comercial a tarifas internacionais "na hora certa", sem precipitação. A declaração ocorre em meio à escalada de sobretaxas impostas por parceiros comerciais, especialmente os Estados Unidos, que anunciaram tarifas de 25% sobre aço e alumínio brasileiros. Alckmin disse ainda que o governo prepara medidas de apoio aos setores diretamente afetados.
Segundo Alckmin, a reciprocidade virá na hora certa e apoiaremos afetados por tarifa com medidas como linhas de crédito, desonerações e negociações diplomáticas. "Não vamos agir por impulso. A reciprocidade será aplicada no momento adequado, respeitando os interesses nacionais e as regras da Organização Mundial do Comércio", afirmou o vice-presidente.
Estratégia de reciprocidade comercial do governo
A declaração de Alckmin reflete a estratégia do governo de evitar uma escalada retaliatória imediata. O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) avaliam impactos setoriais antes de definir as contramedidas. "A reciprocidade é um instrumento de negociação, não de guerra comercial", disse Alckmin.
Entenda o contexto das tarifas
As tarifas de 25% sobre aço e alumínio brasileiros foram anunciadas pelo governo Trump em março de 2025, afetando diretamente exportações de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2024, o Brasil exportou US$ 3,2 bilhões em aço para os EUA, segundo o MDIC. O setor siderúrgico emprega cerca de 120 mil trabalhadores no país, com forte concentração em Minas Gerais.
Apoio aos setores afetados
O governo prepara um pacote de medidas para mitigar os impactos das tarifas. Entre as ações discutidas estão:
- Linhas de crédito especiais pelo BNDES para empresas exportadoras
- Desoneração de encargos trabalhistas temporária para setores mais atingidos
- Aceleração de negociações comerciais com outros mercados, como União Europeia e China
- Criação de um comitê de crise interministerial para monitoramento semanal
Alckmin disse que o apoio virá "na medida da necessidade" e que o governo não deixará setores desassistidos. "Apoiaremos afetados por tarifa com instrumentos fiscais e creditícios", afirmou.
Impactos para Minas Gerais
Minas Gerais é o maior produtor de aço do Brasil, responsável por 35% da produção nacional. A Usiminas, com planta em Ipatinga, e a Gerdau, com unidades em Ouro Branco e Divinópolis, estão entre as principais afetadas. O estado também exporta café, carne e minério de ferro, setores que podem sofrer com retaliações comerciais.
O governo de Minas Gerais, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), já iniciou levantamento de impactos. "Vamos defender a indústria mineira com todos os instrumentos disponíveis", disse o governador Romeu Zema, em nota.
Reações do setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (Abramat) manifestaram apoio à estratégia do governo. "A indústria brasileira precisa de previsibilidade e diálogo, não de retaliação imediata", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota.
Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendeu que o governo acione a OMC de forma imediata. "Não podemos esperar. A cada dia de tarifa, perdemos competitividade", afirmou o presidente da Fiesp, Josué Gomes.
Próximos passos
O governo deve anunciar as primeiras medidas concretas nas próximas duas semanas. Alckmin adiantou que o presidente Lula convocará reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para discutir o tema. "A reciprocidade virá na hora certa e apoiaremos afetados por tarifa. Não vamos deixar ninguém para trás", concluiu.
Perguntas Frequentes
O que Alckmin disse sobre reciprocidade?
O vice-presidente afirmou que a reciprocidade a tarifas internacionais será aplicada "na hora certa", sem precipitação, respeitando as regras da OMC.
Quais setores serão apoiados?
O governo prepara apoio a setores diretamente afetados pelas tarifas, como siderurgia, alumínio, café e carne, com linhas de crédito e desonerações.
Quando as medidas serão anunciadas?
O governo deve anunciar as primeiras medidas nas próximas duas semanas, após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Como a indústria reagiu?
A CNI apoiou a estratégia de negociação, enquanto a Fiesp defendeu acionamento imediato da OMC. O setor produtivo mineiro também se mobiliza.
O que muda para Minas Gerais?
Minas Gerais, maior produtor de aço do Brasil, será um dos estados mais afetados. O governo estadual já iniciou levantamento de impactos com a Fiemg.
Há risco de guerra comercial?
Alckmin disse que o governo evita escalada retaliatória imediata e prioriza negociação diplomática. A reciprocidade será aplicada no momento adequado.