Agosto tem melhor relação de troca entre grãos e fertilizantes
Agosto trouxe alívio ao produtor: preços de grãos e boi subiram, enquanto a ureia caiu 12,5%. Relação de troca melhorou, mas fosfatados seguem apertados, aponta Itaú BBA.
Agosto encerrou com a combinação mais favorável do ano para o produtor rural brasileiro. A recuperação dos preços de grãos, cereais, açúcar e boi, somada à queda nas cotações da maior parte dos fertilizantes, melhorou a relação de troca no campo e destravou a comercialização de insumos. A análise é do Itaú BBA, divulgada na última sexta-feira do mês (28).
O principal alívio veio da ureia. O fertilizante passou de US$ 482,50 por tonelada no início de agosto para US$ 422 por tonelada no fim do mês, queda de aproximadamente 12,5%. O sulfato de amônio recuou ainda mais, de US$ 262,50 para US$ 220 por tonelada, redução de cerca de 16%.
A valorização do milho ampliou o poder de compra do agricultor. Segundo o Itaú BBA, a relação de troca dos nitrogenados voltou a níveis considerados negociáveis, o que impulsionou a aquisição de fertilizantes para a segunda safra. A janela de compra se estende até o fim do ano, e a safrinha demanda volumes elevados de nitrogênio.
Os dados de comércio exterior confirmam a reação: o Brasil desembarcou 601 mil toneladas de ureia em julho, maior volume mensal de 2026. No acumulado de janeiro a julho, porém, as importações somam 2,3 milhões de toneladas, queda de 24,7% ante o mesmo período de 2025. O banco projeta aceleração das compras externas nos próximos meses.
A melhora não foi uniforme. Nos fosfatados, a relação de troca segue desfavorável. O MAP recuou para US$ 855 por tonelada e o SSP para US$ 245, mas o produtor ainda precisa entregar mais produção para comprar o insumo. O Itaú BBA atribui a queda dos preços ao enfraquecimento da demanda brasileira, não a uma melhora estrutural da oferta.
O enxofre limita quedas maiores: em julho, o Brasil importou apenas 29 mil toneladas, menor volume em 36 meses, com preço médio de US$ 1.067 por tonelada FOB, mais que o dobro de janeiro. O custo da matéria-prima pressiona a produção doméstica. O banco mantém alerta para riscos geopolíticos e recomenda atenção ao momento das compras.