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Agentes da Abin criticam relatório da PF citado por Moraes

ResumoA Intelis, entidade que representa agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), criticou o relatório da Polícia Federal citado pelo ministro Alexandre de Moraes contra o ex-diretor da agência. A nota da Intelis aponta ausência de padrão técnico no documento e defende a criação de um marco legal para as atividades de inteligência no Brasil.

A Intelis, entidade que representa agentes da Abin, criticou relatório da PF citado por Moraes contra Mendonça. Nota aponta falta de padrão técnico e defende marco legal.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 07 de setembro de 2026 · 1 min de leitura
Agentes da Abin criticam relatório da PF citado por Moraes

A Intelis, entidade que reúne agentes da Abin, saiu em defesa dos padrões técnicos da atividade de inteligência ao criticar, neste sábado (5), o relatório da Polícia Federal citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra o colega André Mendonça. Em nota pública, a associação afirma que o conteúdo divulgado "não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência", norma que orienta a produção de conhecimento no Sistema Brasileiro de Inteligência.

O documento da PF ganhou repercussão depois que Moraes o usou em decisão que apontou suposto "viés político" de Mendonça na condução de investigações. A Intelis, porém, não cita nominalmente os ministros e não entra no mérito das apurações. A crítica é sobre a forma: para a entidade, a atividade de inteligência "não se confunde com investigação criminal" nem com peças de acusação.

Quem vive no interior de Minas sabe como uma informação mal apurada pode derrubar uma colheita ou manchar uma reputação. Aqui, o cuidado com o dado é questão de honra. A Intelis defende o mesmo: relatórios de inteligência precisam seguir coleta, avaliação, análise e validação para garantir objetividade e impessoalidade. Sem isso, vira achismo com carimbo oficial.

A entidade ainda alerta que a falta de uma legislação abrangente pode gerar uma "confusão perigosa" entre inteligência, atividade policial e persecução penal. Por isso, aproveitou a nota para defender que o Congresso analise o PL 6.423/2025, que cria um marco legal para o setor, com competências, limites e mecanismos de controle. A expectativa é que o episódio acelere o debate, para que o interior e o país inteiro saibam, com clareza, onde termina a coleta de informação e começa a investigação.

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