# Ações da Oracle sobem 3% com carteira de pedidos

> A Oracle registrou alta de 3% em suas ações após o aumento de US$ 26 bilhões em sua carteira de pedidos. Analistas apontam que, apesar da melhora no balanço, a recuperação do fluxo de caixa da Oracle ainda está distante, mantendo cautela sobre a sustentabilidade do movimento.

*Portal Notícias MG · Serviços · 11 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Papéis da Oracle avançaram 3% após aumento de US$ 26 bilhões na carteira de pedidos. Analistas alertam que recuperação do fluxo de caixa ainda está distante, mesmo com melhora no balanço.

As ações da Oracle subiram 3% no início do pregão de sexta-feira, depois que um aumento de US$ 26 bilhões na carteira de pedidos amenizou parte das preocupações com os gastos elevados da empresa, impulsionados por dívidas. Ainda assim, analistas ouvidos pelo mercado afirmam que a recuperação do fluxo de caixa está longe de acontecer.

A empresa informou que aproximadamente metade dos US$ 664 bilhões em pedidos em carteira deve se converter em vendas nos próximos 36 meses. Grande parte da receita recém-contratada não exigirá capital próprio, segundo a Oracle, porque depende de pagamentos antecipados de clientes e do fornecimento de chips pelos próprios clientes para expandir a capacidade.

Esse quadro, somado a resultados positivos no primeiro trimestre e a um balanço patrimonial em melhoria, ajudou as ações a se recuperarem de um período de baixo desempenho. No acumulado do ano até o último fechamento, os papéis caíam mais de 21%, enquanto o índice S&P 500 subia quase 11%. O contraste expõe a desconfiança dos investidores em relação às apostas caras da Oracle em IA e à viabilidade de seus negócios tradicionais de software nessa área.

"Apesar de a Oracle ter pedido aos clientes que financiem parcialmente o hardware técnico para aliviar a pressão sobre seu fluxo de caixa, não prevemos que o perfil de fluxo de caixa da Oracle mude tão cedo", disse o analista da Morningstar, Luke Yang.

"Levará anos até que a receita (da nuvem) atinja uma escala que suporte a expansão contínua da capacidade, gerando simultaneamente fluxo de caixa positivo", completou.

A Oracle enfrenta riscos ligados ao financiamento e à rentabilidade de seus data centers em um momento em que os custos dos componentes dispararam e a reação negativa ao desenvolvimento de data centers cresceu nos EUA. A empresa afirmou que levantará US$ 40 bilhões por meio de financiamento de dívida e capital próprio no atual ano fiscal, incluindo a venda de ações no valor de US$ 20 bilhões concluída no primeiro trimestre.

O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,40 bilhões, melhor do que a estimativa dos analistas de uma queima de caixa de US$ 9,56 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.

"Os resultados representaram um avanço significativo para equilibrar a discussão entre os investidores sobre uma empresa que apresenta crescimento acelerado de receita em larga escala", afirmaram os analistas da Evercore.

"Embora o endividamento da empresa seja uma preocupação válida, os aspectos positivos do negócio acabaram se perdendo em meio a essa análise", disseram.

As ações são negociadas a 16,86 vezes a estimativa de lucros futuros, em comparação com o múltiplo de 23,84 da Microsoft e o de 22,58 da Amazon, segundo dados compilados pela LSEG.

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