Ações de terras raras no Brasil desabam com nova lei
Ações de empresas estrangeiras com projetos de terras raras no Brasil recuaram entre 9% e 17% em cinco pregões, em semana de aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos. Incerteza regulatória pesa sobre o setor.
As ações de empresas estrangeiras com projetos de terras raras no Brasil acumularam perdas de 9% a 17% nos cinco pregões encerrados em 3 de setembro, período que marcou a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O levantamento da CNN considera cinco companhias listadas nos Estados Unidos e na Austrália.
A maior queda foi da Rare Earths Americas, negociada nos EUA: os papéis passaram de US$ 14,67 para cerca de US$ 12,15, uma desvalorização de aproximadamente 17,2%. Na Austrália, a St George Mining caiu 13,2%, de A$ 0,091 para A$ 0,079; a Brazilian Rare Earths recuou 11,1%, de A$ 4,13 para A$ 3,67; a Viridis Mining and Minerals perdeu 9,5%, de A$ 4 para A$ 3,62; e a Meteoric Resources caiu 9,3%, de A$ 0,215 para A$ 0,195.
Na quinta-feira (3), parte das empresas ensaiou recuperação após a aprovação do projeto, mas os ganhos não apagaram as perdas dos pregões anteriores. Fontes do setor ouvidas pela CNN avaliam que o novo marco regulatório adicionou incerteza aos projetos no país, principalmente porque parte do alcance dependerá de regulamentação. Uma fonte ligada a uma das empresas afetadas afirmou, sob reserva, que o projeto trouxe um "novo nível de incerteza" para investidores e compradores, com dúvidas sobre homologação de contratos de longo prazo, regras de exportação e mudanças societárias. Esses contratos de offtake, de compra futura da produção, são centrais no financiamento de projetos em desenvolvimento.
Outra fonte ponderou que seria simplificação atribuir todo o movimento à aprovação do projeto. Empresas sem exposição ao Brasil, como Lynas Rare Earths e MP Materials, também caíram: 7% e 9%, respectivamente, no mesmo intervalo. Ainda assim, as expostas ao mercado brasileiro tiveram quedas mais fortes. O texto aprovado amplia a capacidade do governo de acompanhar operações estratégicas e prevê regras sobre controle societário, exportações e agregação de valor, mas a aplicação dependerá de regulamentação. Integrantes do Executivo defendem que as regras serão implementadas com previsibilidade e segurança jurídica.