"Altura do vão é 2,45m": PF aponta código para valor de imóvel a Wagner
A Polícia Federal aponta que a frase "altura do vão é 2,45m" foi usada como linguagem cifrada em negociações sobre a compra de um apartamento para o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado. A informação consta no relatório da PF divulgado nesta sexta-feira (11), após o presidente do STF, Edson Fachin, ordenar que o ministro André Mendonça derrubasse o sigilo de todos os documentos sobre o caso Master.
Resposta direta: segundo a PF, o termo "altura do vão" diz respeito ao valor de R$ 2,45 milhões relacionados ao imóvel adquirido no empreendimento Poemè Horto, de alto padrão, construído pela Moura Dubeux no Horto Florestal, em Salvador (BA). A mensagem foi enviada por Daniel Lopes Monteiro, apontado pela PF como operador jurídico financeiro ligado ao Master, a Guilherme Henrique Sodré Martins, o "Tio Guiga", pessoa de confiança do senador. Guilherme responde: "Perfeito".
Segundo a PF, o termo foi usado para dificultar a compreensão do conteúdo. Os documentos mostram que Daniel Monteiro e Guilherme Sodré realizavam videoconferências e marcavam reuniões presenciais com frequência, tática que, de acordo com a Polícia Federal, serviria para dificultar a compreensão e a consequente exposição das conversas.
O que a PF aponta sobre a negociação do imóvel
A PF relaciona a conversa com outra troca de mensagens entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro. Em novembro de 2024, o senador encaminha o contato de um gerente da construtora Moura Dubeux em Salvador e, em seguida, informações relativas a um imóvel avaliado justamente em R$ 2,45 milhões. A PF afirma que Jaques pediu o apartamento a Augusto Lima como uma "vantagem indevida".
As datas apontadas pela PF mostram que as negociações sobre a compra do imóvel continuaram mesmo depois da prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Ainda segundo a investigação, a retomada das tratativas ocorreu três dias depois da deflagração da operação, com diálogos entre o operador de Augusto Lima e diretores do Master, em 21 de novembro de 2025. Em 25 de novembro do ano passado, a negociação foi retomada com maior cautela no formato das mensagens entre os envolvidos.
Segundo a PF, após a prisão do ex-banqueiro, as negociações seguiram por meio de "manobras contratuais executadas com o propósito de evitar a descoberta do negócio ilícito pelos investigadores". Em fevereiro de 2026, os intermediários do negócio trocaram mensagens com a minuta do contrato de compra do apartamento assinado. Detalhes do imóvel, como itens de acabamento que seriam substituídos, também foram enviados. A troca no acabamento acrescentaria R$ 20 mil ao valor inicial do espaço.