# "A Crise de Grandes Marcas": recuperações judiciais batem recorde

> A recuperação judicial de empresas no Brasil atingiu recorde histórico em 2025, com 2.466 pedidos protocolados. Grandes redes como Habib's e Casas Bahia solicitaram proteção contra credores, refletindo um cenário de endividamento elevado, juros altos e queda no consumo. O número supera os registros anteriores e sinaliza estresse financeiro sistêmico no varejo e na alimentação fora do lar.

*Portal Notícias MG · Serviços · 07 de setembro de 2026 · Sérgio Tadeu Mafra*

Recuperações judiciais no Brasil atingiram recorde de 2.466 empresas em 2025. Grandes redes como Habib's e Casas Bahia pediram proteção. Entenda o cenário.

O número de recuperações judiciais no Brasil atingiu patamar recorde em 2025, com 2.466 empresas envolvidas, segundo dados da Serasa Experian. O movimento segue em 2026, com grandes nomes do varejo como Habib's, Casas Bahia, Marabraz e Grupo Pão de Açúcar protocolando pedidos ao longo do ano. O cenário, porém, não se limita ao comércio, e alcança outros setores da economia.

O momento adverso foi tema do especial "A Crise de Grandes Marcas", do CNN Money, na última quinta-feira (3). Especialistas analisaram o contexto macroeconômico e o efeito sobre as companhias brasileiras.

Para João Nogueira Batista, conselheiro com experiência em reestruturações, duas motivações marcam o atual cenário: conflitos societários, que funcionam como "fator de estímulo a crise", e a taxa de juros elevada. "Para o varejo, que trabalha muito com capital de giro, [o atual patamar da Selic] é mortal", afirmou. A Casas Bahia, por exemplo, citou no pedido o ambiente macroeconômico desfavorável e a restrição de crédito.

Batista vê ainda uma transformação estrutural no setor. A expansão do comércio eletrônico reduziu a produtividade de redes com grandes parques de lojas, que ficaram ociosos, mantendo custos altos. O fim da "taxa das blusinhas", aprovado pelo Congresso na quinta-feira (3), também pressiona o varejo nacional, segundo o consultor, por ampliar a assimetria com plataformas estrangeiras.

Fora do varejo, o caso da Braskem ilustra crises de outra natureza. A petroquímica, da qual Batista foi conselheiro por seis anos, apresentou em agosto pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas. A companhia obteve apoio inicial de 39,6% dos créditos e tem 90 dias para buscar adesão. Para o consultor, o problema deixou de ser só oferta e demanda e virou estrutural, com novas plantas globais baseadas em gás etano elevando o custo relativo da nafta.

A recuperação extrajudicial, como a da Braskem, permite renegociar dívidas sem submeter toda a operação ao processo judicial. Luiz Fabiano Saragiotto, da Journey Capital, lembra que a Lei nº 11.101, de 2005, "revolucionou" a reestruturação no país, permitindo negociação entre credores e devedores. Antes, "era praticamente a empresa assinar um atestado de óbito". A lei foi atualizada em 2020, mas segue mais acessível a grandes companhias.

No mecanismo extrajudicial, o devedor escolhe quais créditos renegociar, sem afetar fornecedores e trabalhadores. A ferramenta ajuda empresas que, após forte alavancagem, não tiveram o retorno de caixa esperado. "Captaram muitos recursos e tiveram uma frustração de geração de caixa", explicou Saragiotto.

Para o trabalhador e o pequeno empreendedor mineiro, o efeito prático é direto: recuperações de grandes redes costumam vir acompanhadas de fechamento de lojas e cortes de vagas. A tendência para os próximos meses depende da trajetória dos juros e do crédito, fatores que seguem no centro do debate econômico. recuperação judicial e efeitos no emprego como funciona a recuperação extrajudicial

---

Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/8220a-crise-grandes-marcas8221-onda-recuperacoes-judiciais-atinge-economia/
