Chuvas atrasam moagem de cana e sustentam preços do etanol em SP
Os preços do etanol subiram mais de 2% na última semana nas usinas do Estado de São Paulo, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), avaliou nesta segunda-feira (14). O motivo: as chuvas atrasam a moagem de cana-de-açúcar e trazem preocupações sobre o volume que poderá ser processado na temporada 2026/27.
Entre 8 e 11 de setembro, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi cotado na usina paulista, sem impostos, a uma média de R$ 2,4622 por litro, avanço de 2,63% frente à semana anterior. Para o etanol anidro, o indicador fechou a R$ 2,8475 por litro (sem PIS/Cofins), elevação de 2,32%.
O que mudou desde julho
Ao final de julho, o etanol hidratado, usado diretamente nos carros, era cotado a cerca de R$ 2 por litro. O anidro, utilizado na mistura à gasolina, ficava em aproximadamente R$ 2,30 por litro. De lá para cá, o avanço no combustível nas usinas passou de 20%, com o mercado influenciado por uma disparada do açúcar no mercado internacional, afetado por preocupações com uma quebra de produção na Europa e em países da Ásia.
"Com previsão de mais chuvas para esta semana, agentes estão preocupados sobre quanto de cana-de-açúcar ainda deve ser processado até o fim da moagem e quanto de produto estará em estoque nos próximos meses, visto que as atividades estão paralisadas e atrasadas", afirmou o Cepea.
Partes de São Paulo, Minas Gerais e Paraná deverão voltar a ter chuvas próximas ou acima da média histórica esta semana, segundo dados da LSEG. Os volumes, contudo, devem ficar abaixo dos registrados na última semana, quando as precipitações ficaram entre 40 e 60 milímetros em boa parte das áreas.
O Cepea também chamou a atenção para o impacto na comercialização de etanol da medida temporária do governo federal para zerar as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins do etanol hidratado, até 9 de outubro, ação anunciada junto com uma desoneração da gasolina. "Após essa notícia, o mercado de etanol ficou praticamente travado. Produtores tinham a intenção de manter os preços ofertados, sem ceder mesmo após o desconto dos tributos."
Do outro lado, compradores tentaram oferecer valores mais baixos, já que o imposto não seria mais recolhido pela usina, apontou o Cepea.