Eventos

Vínculo América Latina e Itália: nova fase nas relações

ResumoA relação entre América Latina e Itália entra em nova fase de aproximação diplomática. O governo italiano renovou o interesse pela região, mantendo diálogo próximo com líderes como Javier Milei, Santiago Peña e Daniel Noboa. A iniciativa sinaliza prioridade estratégica italiana no cenário latino-americano, após período de atenção intermitente. A cooperação bilateral busca consolidar parcerias políticas e econômicas.

Após anos de atenção intermitente, uma nova etapa nas relações entre a América Latina e a Itália parece começar. O governo italiano renovou o interesse pela região, com diálogo próximo a líderes como Javier Milei, Santiago Peña e Daniel Noboa.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 08 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Vínculo América Latina e Itália: nova fase nas relações

Após anos de atenção intermitente, uma nova etapa nas relações entre a América Latina e a Itália parece estar começando. O governo italiano renovou seu interesse pela região, impulsionado pela afinidade política com vários de seus líderes. A presidente do Conselho de Ministros, Giorgia Meloni, desenvolveu relação especialmente estreita com o presidente argentino Javier Milei, mas a aproximação não se limita à Argentina. O diálogo com os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, e do Equador, Daniel Noboa, demonstra atenção renovada ao continente.

Também cresceu o interesse da América Latina em estreitar laços com a União Europeia e a Itália. Diante de limitações impostas pela competição geopolítica, dependência financeira e assimetrias, vários governos veem na Europa um parceiro capaz de oferecer outras formas de cooperação, combinando crescimento econômico, coesão social e sustentabilidade. Na área de segurança, a experiência europeia pode trazer uma perspectiva que articule prevenção, desenvolvimento e respeito ao Estado de Direito, em vez de respostas centradas só na repressão.

Essa aproximação não responde apenas à conjuntura política. Recupera uma dimensão presente na política externa italiana desde o nascimento da República. Muito antes da Segunda Guerra Mundial, parte da liderança política italiana já via a América Latina como espaço natural de diálogo, baseado em migrações, cultura e tradições compartilhadas. Para milhões de italianos que cruzaram o Atlântico entre o fim do século XIX e boa parte do XX, a região foi onde construíram novas vidas e comunidades que se integraram às sociedades locais.

No início do século XX, o economista e futuro presidente Luigi Einaudi defendeu uma presença italiana no mundo baseada no trabalho e na emigração, em contraposição à lógica colonial. Após a guerra, Alcide De Gasperi, chefe do governo entre 1945 e 1953, viu na América Latina um interlocutor importante para o retorno da Itália à comunidade internacional. Em 1949, uma missão diplomática percorreu as principais capitais latino-americanas. Em 1966, foi criado o Instituto Ítalo-Latino-Americano, hoje IILA, um fórum permanente de diálogo.

A crise política italiana dos anos 90 enfraqueceu a continuidade dessa política. As Conferências Itália-América Latina e Caribe, realizadas desde o início deste século, mantiveram um espaço estável de diálogo, embora nem sempre tenham se traduzido em estratégia duradoura. Hoje, o contexto internacional volta a ser favorável: acordos entre União Europeia e Mercosul e afinidades políticas devolveram relevância ao vínculo.

O desafio é transformar esse impulso em política sustentável. A América Latina não pode virar moda diplomática para a Itália. Se a aproximação depender da afinidade entre governos, corre o risco de desaparecer com eles. Os dois lados têm instrumentos, como IILA, conferências e a rede de comunidades de origem italiana, mas eles só funcionarão se gerarem resultados em comércio, transição energética e formação. O futuro dessa aliança dependerá da vontade de traduzir proximidade em projetos concretos relações entre Brasil e Itália.

// Leia também

Publicidade