Convenção de Trump: 5 pontos para o Meio de Mandato
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu Partido Republicano encerraram nesta quinta-feira (11) uma convenção atípica em Dallas. A aposta é que a demonstração de unidade partidária mobilize apoiadores e ajude os republicanos a contrariar a tendência histórica de derrotas nas eleições de Meio de Mandato.
O Comitê Nacional Republicano apresentou o encontro como oportunidade para destacar a agenda de Trump e os sucessos do partido em políticas públicas. No palco, porém, Trump e outros oradores dedicaram a maior parte do tempo a atacar democratas, rotulando-os como extremistas de esquerda e perigosamente antiamericanos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou os democratas de quererem transformar o país em um "cenário infernal socialista".
O que mudou na convenção
A tática de atacar adversários e incutir medo em campanha eleitoral é usada por ambos os partidos há décadas. Trump há muito tempo faz de criminalidade e imigração pontos centrais de seu apelo político. O foco nos democratas ressaltou os desafios dos republicanos ao tentar defender suas maiorias no Congresso.
Com a insatisfação em relação aos preços elevados e à guerra no Irã pesando sobre Trump, os oradores argumentaram que o controle democrata do Congresso representaria um risco maior. Trump afirmou que as preocupações com a inflação eram exageradas e reiterou que a palavra "acessível" era "falsa", responsabilizando os democratas pelos preços altos.
"Estou reduzindo drasticamente os preços", disse Trump, uma afirmação que destoa dos dados econômicos do governo.
As promessas e a sucessão
Trump e outros oradores destacaram os cortes de impostos de 2025, que resultaram em restituições maiores do IRS para muitas famílias, e os esforços para reduzir preços de medicamentos. Ele também prometeu um "dividendo Trump" de US$ 5 mil por adulto caso os republicanos mantenham o controle das duas casas do Congresso. A proposta enfrenta o mesmo obstáculo da ideia anterior de reembolso tarifário de US$ 2 mil, que nunca obteve aprovação do Congresso e custaria mais de 1 trilhão de dólares.
Sobre a guerra contra o Irã, Trump prometeu que os preços do petróleo cairiam "assim que vencermos", conflito que terminaria "logo após o Dia da Eleição", em 3 de novembro. O conflito mostra poucos sinais de chegar ao fim desde que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em fevereiro.
Se os republicanos perderem uma ou ambas as casas, isso provavelmente intensificará o debate sobre quem sucederá Trump em 2028. O vice-presidente JD Vance fez um discurso de destaque na noite de quinta-feira, adotando a política populista de Trump, mas dedicando mais tempo a temas como família, fé e o futuro das crianças. Foi recebido com gritos de "48, 48", referência à ideia de que poderia ser o 48º presidente, sucedendo Trump, o 47º.
"Temos que fazer o que precisa ser feito agora em novembro; depois, nos preocuparemos com o que vem a seguir", disse ele.
Uma incógnita é se Trump indicará um sucessor. Ele não deu pistas ao subir ao palco depois de Vance.