Carlos Bracher pinta Museu Mariano Procópio pela 1ª vez aos 85 anos
Carlos Bracher, 85, pinta pela primeira vez o Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, em performance ao vivo na terça-feira (25). O convite foi do próprio museu para celebrar o Dia do Artista.
Carlos Bracher, 85 anos, completou na última terça-feira (25) sua primeira pintura da fachada do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, em uma performance ao vivo acompanhada pelo público. O convite partiu do próprio museu, que celebrou o Dia do Artista, comemorado em 24 de agosto. "Eu sabia que seria algo muito profundo", afirmou. "E foi inacreditável."
Entre as pinceladas, Bracher sentiu a vibração de quem acompanhava cada movimento. "Foi um trabalho de muitas mãos, em que todo mundo participou", disse. A experiência o levou de volta aos tempos em que pintava na rua, registrando o tempo passar. Para ele, pintar o museu, que define como esplêndido, exige respeito pela dimensão histórica e pelo aspecto onírico do lugar. "O Mariano é algo muito único, é o nosso Louvre", explicou, destacando o acervo e as obras do espaço.
A atividade, segundo o artista, ajuda a valorizar a cultura de Juiz de Fora, seus artistas, poetas e escritores que nasceram na cidade. "Juiz de Fora é um polo cultural e o museu é a alma", definiu. Cercado por pessoas com um objetivo comum, Bracher descreveu a experiência como quase espiritual. "Tinha que sair alguma coisa", completou. Ele também notou a diversidade do público, dos mais jovens aos mais velhos, todos contribuindo para a conclusão do quadro.
Ao pintar o museu, Bracher lembrou do Castelinho dos Bracher, um dos principais berços artísticos de Juiz de Fora no século 20. "Se não fosse aquela casa, eu não seria pintor", contou. "No Mariano Procópio, pintando aquele quadro, eu tive a exata mesma sensação: eu senti o meu castelinho." O processo foi revigorante, concluiu.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy