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Doação de órgãos: caminhada em BH incentiva o sim

ResumoA caminhada do Hospital Risoleta Gonçalves Tolentino, em Belo Horizonte, chega à terceira edição no Parque Municipal para incentivar a doação de órgãos dentro das ações do Setembro Verde. O evento reúne histórias de espera e recomeço de pacientes transplantados e familiares de doadores.

Terceira edição da caminhada do Hospital Risoleta Gonçalves Tolentino levou histórias de espera e recomeço ao Parque Municipal, no Centro de BH, dentro das ações do Setembro Verde.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 14 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Doação de órgãos: caminhada em BH incentiva o sim

Histórias de espera, esperança e recomeço marcaram a 3ª Caminhada de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos do Hospital Risoleta Gonçalves Tolentino, realizada neste sábado (12/9), no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro de Belo Horizonte. A atividade integra as ações do Setembro Verde e reuniu trabalhadores do hospital, famílias doadoras, pessoas transplantadas e pacientes que ainda aguardam por um órgão. A participação foi gratuita, das 8h às 12h.

A médica intensivista Pulcheria Leôncio, de 40 anos, uma das principais organizadoras, afirmou que a caminhada busca transformar a conscientização em esperança para quem aguarda um transplante. "As despedidas podem ser transformadas em recomeços. Hoje, cada passo nessa caminhada carrega o propósito de correr pela vida, pela esperança e pelas famílias que acreditam em um recomeço", declarou.

O que a caminhada quer mostrar sobre a doação de órgãos

A enfermeira Priscila Xavier, que também participa da organização, ressaltou o contingente de brasileiros à espera de um transplante. "Um sim de cada pessoa pode salvar várias vidas", afirmou. Dados do Ministério da Saúde apontam que quase 50 mil brasileiros aguardam por um transplante, e quase a totalidade dos procedimentos no país é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Hospital Risoleta é uma unidade 100% SUS e não realiza cirurgias de transplante, mas atua na captação de órgãos e tecidos. O trabalho é conduzido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), que atua desde 2007 na identificação de potenciais doadores, nos procedimentos ligados ao diagnóstico de morte encefálica e no acolhimento às famílias.

Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, as captações realizadas no Risoleta beneficiaram 161 pessoas. No período, foram registradas 54 doações de córneas, que atenderam 108 pessoas, e 19 doações de múltiplos órgãos, que beneficiaram cerca de 53 pacientes. Para uma unidade que não opera transplantes, o volume indica quanto da doação se decide na conversa com a família, e não no centro cirúrgico.

Histórias de quem espera e de quem recebeu

Entre os participantes estava a professora Fabiana, de 46 anos. O irmão dela aguarda por um transplante de fígado na Santa Casa de Belo Horizonte. Para ela, a autorização de uma família representa a possibilidade de outras pessoas continuarem vivendo. "A expectativa é de uma família dizer o sim. Ele que vai permitir que as pessoas continuem as suas vidas e renasçam. Só quem está passando por esse momento, por essa angústia, sabe a importância de um sim", relatou. Fabiana destacou ainda que a doação ocorre em um momento de sofrimento para os familiares, mas pode dar novo significado à perda.

A enfermeira Rochane Naiara, de 34 anos, levou à caminhada uma história que mostra o outro lado. A filha dela, Aurora, hoje com 2 anos, precisou de um transplante de coração quando ainda era bebê. Segundo a mãe, Aurora tinha apenas oito meses quando adoeceu. A família acreditava inicialmente que se tratava de uma gripe, mas exames mostraram que o coração da criança estava aumentado. Ela foi diagnosticada com cardiomiopatia dilatada, e a família iniciou uma corrida por tratamento.

"Devido à gravidade do estado dela, ela precisou ficar internada e entubada. Ela precisou fazer uso do coração artificial, mas, com 42 dias na lista de transplante, recebeu o tão sonhado sim", contou Rochane. Como não havia em Minas Gerais uma unidade que pudesse oferecer todo o suporte necessário naquele momento, a criança foi levada para São Paulo. Aurora recebeu o transplante, recuperou-se e, segundo a mãe, atualmente está saudável.

"A medicina tem um limite, mas a gente, como familiar, pode fazer algo para o mundo. Podemos ser doadores, dar esperança para outras famílias e permitir que crianças possam crescer saudáveis, que outras famílias possam ter os pais e avós de volta", afirmou.

Como o hospital conduz a conversa com as famílias

Priscila Xavier explicou o passo a passo adotado pela equipe. "Sabemos que é um momento extremamente delicado. Nosso papel é conduzir tudo com respeito, conversando com a família sobre a possibilidade de ressignificar a dor. Ao sinal positivo, iniciamos, junto ao MG Transplantes, todos os protocolos para viabilizar a doação", disse.

Realizada desde 2024, a caminhada reúne trabalhadores do hospital, famílias doadoras, pessoas transplantadas e pacientes que ainda aguardam por um órgão. A ação conta com o apoio da Fundação Municipal de Parques, da Copasa e tem como parceira a ONG SOS Gatinhos, formada por voluntários que cuidam dos gatos do Parque Municipal de Belo Horizonte. Para quem acompanha a fila de transplantes em Minas, o recado que fica é simples: a decisão que destrava o processo costuma acontecer dentro de casa, no pior dia da família.

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