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Boicote canadense a bebidas dos EUA: como está 1 ano depois

ResumoO boicote canadense a bebidas dos EUA, iniciado em 2024, reduziu as exportações americanas em 3,8% no primeiro ano. Produtores locais canadenses registraram aumento nas vendas domésticas. Novas tarifas de 50% sobre bebidas americanas reacenderam a disputa comercial entre os dois países. A medida afeta principalmente cervejas, vinhos e destilados importados dos Estados Unidos.

Um ano após o início do boicote canadense às bebidas dos EUA, exportações caíram 3,8% e produtores locais veem alta nas vendas. Novas tarifas de 50% reacenderam a disputa.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 03 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Boicote canadense a bebidas dos EUA: como está 1 ano depois

Um ano depois, como está o boicote canadense às bebidas dos EUA?

Passado um ano desde o início da disputa comercial entre Canadá e EUA, o boicote canadense às bebidas americanas segue ativo e ganhou novo capítulo. Em março de 2025, lojas de bebidas alcoólicas na maioria das províncias canadenses retiraram produtos dos EUA das prateleiras, em resposta às tarifas impostas pelo governo americano. Agora, novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses reacenderam o embate.

O que mudou nas prateleiras canadenses?

A maior parte das províncias canadenses vende bebidas alcoólicas por meio de varejistas estatais, semelhantes às lojas ABC nos EUA. A maioria dos líderes provinciais afirmou que não vai recuar no boicote. O premier da Colúmbia Britânica, David Eby, foi direto: "Não há a menor chance de o álcool americano voltar às prateleiras da Colúmbia Britânica".

A Casa Branca, ao anunciar as novas tarifas, classificou os boicotes como "imposições e discriminações injustas e desiguais" contra os produtores de álcool dos EUA.

Números do impacto: exportações e vendas locais

As exportações de bebidas destiladas dos EUA caíram 3,8% em 2025, em parte devido às ações comerciais canadenses, segundo o Distilled Spirits Council of the United States, associação comercial de produtores de álcool. No Canadá, o boicote incentivou o consumo de produtos locais. A distribuidora provincial do Quebec, SAQ, registrou crescimento de 69,4% nos produtos "Origine Québec" em seu relatório anual divulgado na semana passada.

Paul Goulet, chefe do sindicato das microdestilarias do Quebec, disse à CNN que a guerra comercial de Trump contribuiu para "um senso de unidade sem precedentes em todo o Canadá". Para ele, a situação pode ser construtiva: "Ela ressaltou a importância de diversificar ainda mais as parcerias econômicas do Canadá com parceiros confiáveis e comprometidos".

Produtores locais: quem ganhou e quem ficou de fora

Isabelle Leduc, vice-presidente da Distillerie de Montréal, descreveu o primeiro ano sem produtos americanos como "excelente": "Nossas vendas de destilados, particularmente nosso uísque e rum, aumentaram mais de 35%". Outros pequenos produtores também registraram aumento, embora menor.

Paul Cirka, da CIRKA Distilleries, em Montreal, viu maior demanda pelo seu uísque, mas o impacto geral é "marginal" devido à baixa produção. A destilaria produz do grão à garrafa, com especialização em uísque, gim e vodca, e a produção artesanal permite rápida adaptação ao mercado. Mesmo assim, o estoque não é suficiente para aproveitar o espaço extra nas prateleiras de Quebec.

Cirka espera uma resolução rápida, mas não é otimista: "Seria bom se as coisas voltassem à era pré-Trump, e pudéssemos conviver bem no mesmo espaço, mas não sei se isso vai acontecer".

Em Ontario, o destilador Mike Heisz, da Junction 56, também viu aumento nas vendas, mas evitou atribuir tudo ao boicote: "É muito difícil avaliar porque há muitos fatores. Sabemos que há muito mais oportunidade para nós em Ontario, e definitivamente conseguimos mais distribuição, o que acreditamos ter levado a mais vendas".

O lado negativo: Heisz estava explorando exportações para os EUA antes das tarifas. "Estávamos analisando ativamente, potencialmente, exportações para os EUA, mas dada toda a incerteza que tem ocorrido nos últimos dois anos, é algo que colocamos em segundo plano. É difícil executar um plano quando amanhã pode aparecer um tweet que muda tudo".

A brecha: engarrafamento no Quebec

Mesmo com o boicote, produtos americanos encontram caminhos para chegar ao Canadá. Leduc explicou: "Vários produtores internacionais encontraram maneiras de trabalhar dentro do sistema atual engarrafando seus produtos no Quebec, enquanto a bebida em si ainda é produzida nos Estados Unidos". Quando a empresa americana Proximo começou a engarrafar o Kraken Spiced Rum no Quebec no início deste ano, a destilaria de Leduc registrou queda nas vendas de rum.

A Société des alcools du Québec, varejista estatal da província, confirmou à CNN: "Após a proibição, algumas marcas americanas tomaram a decisão de transferir a transformação final de seus produtos dos EUA para o Quebec. Esses produtos estão agora sendo transformados por empresas locais, não apenas engarrafados, e, portanto, não estão mais sujeitos à proibição".

Reforma no comércio interprovincial: um primeiro passo

Cirka tenta há 10 anos vender sua bebida nos varejistas de Ontario, sem sucesso. Uma reforma anunciada na semana passada, em parte devido às últimas tarifas de Trump, fez com que nove primeiros-ministros provinciais concordassem em permitir que produtores vendam diretamente aos consumidores entre as províncias, sem passar pelo conselho de bebidas de cada uma. Cirka chamou a medida de "um primeiro passo incrível".

O Quebec não está entre os nove. O primeiro-ministro provincial afirma que a mudança, que quebraria o monopólio do conselho de bebidas do Quebec, precisaria ser implementada pelos legisladores quando a assembleia legislativa retomar as sessões. Com eleição provincial se aproximando neste outono, Cirka espera que o Quebec adote a medida por receio de parecer "anti-canadense": "Com toda a honestidade, em 10 anos este é o movimento mais positivo, e não é por causa do lobby interno e de todo o trabalho que fizemos na província. É por causa de pressões externas".

Perguntas Frequentes

O boicote canadense às bebidas dos EUA continua valendo?

Sim. A maioria das províncias canadenses mantém os produtos americanos fora das prateleiras, e líderes provinciais afirmam que não vão recuar.

Quanto caíram as exportações de bebidas dos EUA?

As exportações de bebidas destiladas dos EUA caíram 3,8% em 2025, em parte devido às ações comerciais canadenses, segundo o Distilled Spirits Council of the United States.

Produtos americanos estão totalmente banidos do Canadá?

Não totalmente. Algumas marcas americanas passaram a engarrafar ou transformar seus produtos no Quebec, o que os torna isentos da proibição.

O que mudou para os produtores canadenses?

Muitos registraram aumento nas vendas, como a Distillerie de Montréal, com alta de mais de 35% em destilados. Outros, como a CIRKA, veem impacto marginal devido à baixa produção.

O que são as novas tarifas de 50%?

O governo Trump impôs novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses, reacendendo a disputa comercial e motivando a reforma interprovincial no Canadá.

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