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Coreógrafa Regina Advento atenta à movimentação espontânea em ópera

ResumoA coreógrafa Regina Advento, radicada na Alemanha, dirige nove intérpretes na sala de ensaios da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais para a ópera 'Chica da Silva'. A criação cênica utiliza vissungos e movimentação espontânea, acompanhando a soprano Marly Montoni. A obra explora gestos naturais do corpo como base da expressão dramática, sem coreografia fixa.

Na sala de ensaios da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Regina Advento conduz nove pessoas em movimentos que acompanham a soprano Marly Montoni. A coreógrafa, que vive na Alemanha, criou para a ópera 'Chica da Silva' uma dança baseada em vissungos e na movimentação espontânea

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 04 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Coreógrafa Regina Advento atenta à movimentação espontânea em ópera

A coreógrafa Regina Advento assina as coreografias da ópera "Chica da Silva", de Guilherme Bernstein, com um trabalho atento à movimentação espontânea dos intérpretes. Nos ensaios da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, ela conduz um grupo de nove pessoas. À frente, Regina explica a movimentação: os demais acompanham os gestos de Marly Montoni, soprano paulista que interpreta o papel-título.

A cena final da ópera reúne apenas mulheres: além da protagonista, cinco solistas e duas bailarinas. O libreto, de Marcos Bernstein e Flávia Bessone, afasta-se da figura mítica e aproxima-se da personagem retratada pela historiadora Júnia Furtado no livro "Chica da Silva e o contratador dos diamantes - O outro lado do mito" (2003).

Regina chegou a Belo Horizonte para montar as coreografias que a Cia de Dança Palácio das Artes apresentará na ópera. Desde o início do ano, porém, trabalhava remotamente, da Alemanha, onde vive. Como também atua na movimentação dos cantores líricos, colaborou de perto com a diretora cênica Julianna Santos.

A abertura de "Chica da Silva" terá uma coreografia de nove minutos. Os bailarinos, com o Coral Lírico de Minas Gerais, apresentarão uma dança criada a partir de vissungos, cantos das pessoas escravizadas. "Ouvi muito a música e fiquei tentando encontrar as imagens. Uma coisa que não queria fazer era usar material cênico. Então, toda a coreografia é feita com tudo na mão", conta Regina.

A coreógrafa previu fechar a primeira coreografia na primeira semana de trabalho. No quinto dia, já tinha terminado. A partir daí, iniciou um processo de colaboração com os bailarinos. "No laboratório, usei uma técnica da dançaterapia para busca de movimento. Depois vi que parecia uma roda de samba, já que fizemos um círculo e cada um foi para o meio para uma movimentação espontânea", relata. Desse encontro surgiu outra coreografia, que será apresentada no terceiro ato.

Embora "Chica da Silva" seja o primeiro trabalho de Regina com ópera, a música acompanha sua trajetória desde cedo. Em Belo Horizonte, integrou o Coral Sesiminas. Na Alemanha, onde vive desde os 24 anos, continuou cantando. Chegou a se apresentar em teatro de ópera, em repertório de Pina Bausch, cantando em japonês, inglês, francês, espanhol e alemão. Fora da dança, mantém um projeto de jazz brasileiro com um pianista.

A ópera estreia sábado (12/9), às 19h, na Praça Dr. Prado (Cavalhada), no Centro de Diamantina, com entrada franca. Em Belo Horizonte, as récitas ocorrem sábado (19/9), às 19h, segunda (21/9) e quarta (23/9), às 20h, no Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia), à venda na bilheteria e no Sympla.

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