# Som Aberto: sábados de Juiz de Fora na UFJF entre resistência e arte

> O Som Aberto, festival criado por estudantes da UFJF na década de 1970 durante a ditadura militar, transformou os sábados de Juiz de Fora em espaço de resistência e experimentação artística. O evento reuniu shows, poesia e cinema no campus universitário, atraindo artistas como João Bosco e Sueli Costa.

*Portal Notícias MG · Eventos · 23 de julho de 2026 · Marília Stefani*

O Som Aberto transformou os sábados de Juiz de Fora a partir da década de 1970, com shows, poesia e cinema no campus da UFJF. Criado por estudantes em plena ditadura militar, o festival foi espaço de resistência e experimentação artística, atraindo nomes como João Bosco e Sueli C

## Som Aberto: quando os sábados de Juiz de Fora começavam na UFJF

Sábado, 10h. Esse era o horário que marcava o início do roteiro semanal de grande parte da comunidade juiz-forana, que subia para o campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para assistir a shows, participar de concursos de poesia, exposições de arte e até filmes. Essa era a proposta do Som Aberto, iniciativa que nasceu no Diretório Central dos Estudantes (DCE) na década de 1970.

O festival, criado no contexto da ditadura militar, servia como um espaço seguro para manifestações culturais da época e chegou a trazer grandes nomes da música brasileira. Xico Teixeira, um dos idealizadores do projeto junto com o então presidente do DCE, Ivan Barbosa, define o momento como um "espaço de muita resistência política e experimentação artística estudantil".

### A origem: resistência e união estudantil

O projeto Som Aberto nasceu, como muitos movimentos da época, em um contexto de repressão. No início da década de 1970, a censura já era forte e os jovens buscavam alternativas de falar de arte e democracia. Foi aí que, por meio da união de diversos jovens de cursos como Medicina, Engenharia e Comunicação, nasceu A Pá, uma das principais bandas associadas ao Som Aberto.

"A banda recebeu esse nome porque era um monte de gente, com diversos instrumentos", explica Márcio Itaboray, hoje médico e na época estudante. Ele também ajudou a idealizar o Som Aberto ao lado de Xico Teixeira e Ivan Barbosa. Outros estudantes como Niltinho e Guto Gomes também participaram e se apresentaram no festival.

Márcio explica que, diferente de outros festivais da época, o Som Aberto só poderia acontecer dentro do campus da UFJF, onde estavam protegidos da repressão. As apresentações ocorriam no anfiteatro do ICBG (hoje o Instituto de Ciências Biológicas), com o apoio do coordenador Paulo Torres. Religiosamente, o evento recebia atrações locais e de fora, exposições de fotos e poesias aos sábados, às 10h, exceto nas férias da Universidade.

### Artistas que marcaram o festival

Um dos primeiros artistas a embarcar na empreitada foi João Bosco, em 1970. O show foi um dos seus primeiros. Como outros convidados, ele veio se apresentar e seu cachê foi comida, com direito a uma parada pelo Restaurante Universitário, e passagem. Da rodoviária até o campus, João Bosco foi na garupa da moto Xipa amarela de Xico Teixeira, com o violão nas costas, chegando para o show das 10h de sábado.

Natural do Rio de Janeiro e criada em Juiz de Fora, Sueli Costa também participou do Som Aberto, na época em que cursava Direito na UFJF. A compositora se destaca por sua importância histórica para a música brasileira, chamando a atenção para suas letras em uma época em que poucas mulheres conseguiram se destacar.

Com direito a uma visita ao restaurante favorito dos estudantes da época, o Faisão Dourado, que ficava na galeria do Central, João do Vale trouxe para a Zona da Mata a música nordestina, agitando o campus. Xico Teixeira contou que o show foi maravilhoso e uma experiência incrível, com a casa cheia.

### O retorno e o legado

Apesar de fundado em um contexto social específico, o Som Aberto retornou em 2016 e em 2017, com cerca de oito mil pessoas na Praça Cívica, reunindo gastronomia, música e até aulas de yoga. Um dos mais conhecidos tributos a Raul Seixas, o grupo Raul Queixas e Mágoas, com mais de três décadas de atuação, integrou as atrações de uma das edições de 2016.

O artista consagrado foi uma das principais atrações da edição de 2017, ocupando a concha acústica da Praça Cívica com seu show "Paisagem da janela". O evento foi gratuito e buscou preservar as características do Som Aberto original. Lô Borges também participou de eventos culturais e musicais na década de 1970, sendo um nome que faria e seguiu fazendo sentido com o festival.

### Desafios para o futuro

Para Estevão Teixeira, que se apresentou no Som Aberto ao lado d'A Pá, o retorno é difícil: "Hoje, é difícil retirar as pessoas de casa. O Som Aberto acontecia em um sábado de manhã, quem sairia nesse horário para assistir apresentações na UFJF hoje em dia?" Márcio Itaborahy complementa, explicando que o festival existia por um objetivo específico, indo contra a repressão da ditadura. Atualmente, não existe um ideal comum que possa guiar o festival.

De acordo com o Pró-reitor de Cultura da UFJF, Marcus Medeiros, a Procult não tem intenção de dar prosseguimento ao Som Aberto nos moldes de 2016 e 2017, que retornou para a agenda cultural da universidade por intermédio da professora Valéria Faria, que era Pró-reitora de Cultura na época. A justificativa cai ainda em questões técnicas e de segurança. Já em relação ao formato original da década de 1970, como o evento era organizado inteiramente por estudantes, seria difícil replicá-lo nos dias atuais.

## Perguntas Frequentes

### O que foi o Som Aberto da UFJF?

Foi um festival cultural criado pelo DCE da UFJF na década de 1970, que acontecia aos sábados de manhã no campus, com shows, poesia, exposições e cinema, servindo como espaço de resistência à ditadura militar.

### Quais artistas famosos se apresentaram no Som Aberto?

João Bosco, Sueli Costa, João do Vale, Lô Borges e o grupo Raul Queixas e Mágoas são alguns dos nomes que passaram pelo festival.

### O Som Aberto voltou a acontecer?

Sim, retornou em 2016 e 2017, com cerca de oito mil pessoas na Praça Cívica, mas a Procult da UFJF não tem planos de dar prosseguimento ao evento.

### Por que o festival era realizado no campus da UFJF?

Porque, segundo os organizadores, o campus oferecia proteção contra a repressão da ditadura militar, permitindo que o evento ocorresse de forma segura.

### Quem idealizou o Som Aberto?

O projeto foi idealizado por Xico Teixeira, Ivan Barbosa (então presidente do DCE) e Márcio Itaboray, com participação de outros estudantes como Niltinho e Guto Gomes.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/eventos/som-aberto-relembre-historias-quando-sabados-juiz-fora-comecavam-ufjf/
