Sepultura aposta em show só com era Derrick no Rock in Rio
O Sepultura fez neste sábado (5) o penúltimo show da carreira no Brasil e escolheu um formato inédito: tocar só músicas da era Derrick Green. A apresentação aconteceu no Palco Mundo do Rock in Rio, dentro da turnê de despedida "Celebrating Life Through Death", que roda há quase três anos. Eu, que acompanho o grupo desde os anos 90, percebi na hora: não era só despedida, era uma virada na forma de contar a própria história.
A era Derrick começou em 1998, quando o vocalista assumiu o posto deixado por Max Cavalera, que saiu em 1996 após divergências. No show, o grupo tocou faixas dessa fase, incluindo "All Souls Rising", do novo EP. O clima diferente não veio do tom de despedida nem da empolgação da plateia, mas da curadoria do repertório.
Andreas Kisser já tinha dito que os fãs pediam há muito um show assim, mas o grupo nunca tinha encontrado a oportunidade. Até para não dividir a carreira em duas metades. O momento certo veio agora, na despedida, sem apagar de forma brusca a história com Max, um dos criadores da banda. Quem vive a estrada sabe: fechar um ciclo sem rasgar o passado é arte rara.
A escolha mostra maturidade. Em vez de um best of genérico, o Sepultura entregou um recorte que celebra a fase mais longa com Derrick, sem esquecer de onde veio. Para o fã que cresceu ouvindo as duas eras, foi um aceno de respeito. A turnê segue, e o público do interior, que muitas vezes depende de festivais para ver a banda, fica de olho nas próximas datas.
O penúltimo show no Brasil já entrou para a memória de quem estava no Palco Mundo. Agora, resta a última apresentação no país, que promete fechar o ciclo com a mesma intensidade. turnê de despedida do Sepultura